Se você tem menos de 15 anos de idade, talvez não saiba disso, mas existia todo um universo de filmes da Marvel antes do MCU…

E se você é véio que nem eu, talvez se amarre em recordar comigo essas “preciosidades”. Vem comigo, vai ser “supimpa”…

Blade (1998, 2002 e 2004)

Bem, foi aqui que tudo começou. No final dos anos 90, a Marvel estava à beira da falência, quando decidiu lançar o primeiro filme do caçador de vampiros. O filme foi um sucesso de bilheteria, provando que a resposta aos problemas financeiros da editora poderiam estar na telona. É possível dizer que daí tenha surgido a semente que originou o MCU, muito embora ainda levaria uma década e vários filmes lançados por outros estúdios, até que a Marvel se consolidasse como produtora de suas próprias películas.

E realmente, é de aplaudir de pé a façanha da Marvel. Pegar um personagem “b” como Blade, que ninguém conhecia, e transformar num filme de sucesso, não é para qualquer um. Vamos lembrar que, antes dele, só o que se tinham eram “bombas” como a do Quarteto de 1994, o Justiceiro do Dolph Lundgren (1989) ou do Nick Fury, da mesma época.

O primeiro filme é uma boa introdução ao personagem que, filho de uma humana com um vampiro, torna-se um bebedor de sangue capaz de caminhar à luz do dia e passa a perseguir seus semelhantes para livrar a humanidade dessa ameaça. Na trama, ele tenta deter um bando de vampiros que deseja obter o segredo de ficar imune à luz do sol.

O segundo, apesar de dirigido pelo aclamado Guilherme Del Toro, já perde um pouco de seu clima gótico e sombrio, com Blade fazendo piadinhas e uma trama pouco convincente. E é claro, para manter a regra de que o pior filme da trilogia é quase sempre o último, Blade Trinity é uma vergonha total, reflexo das brigas nos bastidores e do comportamento de Snipes pouco profissional.

Se os dois primeiros foram sucessos de bilheteria, aqui a situação se inverte, sendo um completo fracasso e decretando seu fim. A curiosidade fica por conta da participação de Ryan Reynolds, que mais tarde interpretaria o Lanterna Verde e o Deadpool, sendo talvez o ator que mais atuou em filmes de herói em papéis diferentes.

Demolidor (2003)

Esse é tão tosco que parece ter sido feito nos anos 80. Apesar de ter algumas coisas bem legais, não compensam os tropeços do filme, que são muitos. Do que se salva, é a sequência da origem, as referências aos desenhistas, a morte de Elektra e as atuações do Michael Clarke Dunkan e Colin Farrell.

Mas as tosquices já estão lá desde o início. Na sequência de origem, que muitos dizem ser a melhor parte do filme, tem a cena com os “bullys” que é constrangedora demais. Aliás, “constrangedor” parece ser o tema recorrente aqui, pois logo no primeiro encontro com Elektra os dois encenam uma luta num parquinho com um monte de crianças gritando. WTF???

Elektra, aliás, nem um pouco convincente. Jennifer Garner só está lá por ser um rostinho bonito para contracenar com o Ben Affeck, mas não passa em nenhum momento a frieza de uma assassina. O romance dos dois acontece rápido demais, mesmo pros padrões de Hollywood e a cena dela lutando com sacos de areia ao som de Evanescence só gera mais constrangimento. A cereja do bolo é a edição que insiste em realçar os olhos verdes da atriz a todo momento. Pra quê? Ninguém sabe.

Temos ainda um Demolidor excessivamente cruel, que deixa um bandido morrer na linha do trem e joga o Mercenário de considerável altura sem se importar com o que vai acontecer. Sim, eu sei que foi exatamente assim nas HQs, mas lá o vilão tinha acabado de matar o amor de sua vida. Aqui, com o romancesinho mequetrefe muito mal construído, não se justifica. E sério, clímax do filme numa igreja? Alguém andou assistindo o Batman do Tim Burton antes de escrever o roteiro.

Vamos ao Rei que, ao saber que o Demolidor está a caminho, começa a tirar a roupa. Hummm… bem estranho, né. Mas brincadeiras à parte, o confronto entre os dois até que é bem bacana e deixa muito bem engatilhado para uma sequência baseada na “Queda de Murdock”. Poderiam ter feito isso ao invés de desperdiçarem dinheiro com a tosquisse suprema que é o filme solo da Elektra. Esse não vou nem comentar.

Há ainda a versão do diretor que, embora não salve a película, acrescenta uma subtrama bem legal envolvendo a Nelson & Murdock. Se você ainda não viu o original, aconselho a buscar direto essa versão. A decepção é menor.

Quarteto Fantástico (2005, 2007 e 2015)

Pois é. A melhor equipe de heróis da Marvel (sim, chupa Vingadores, chupa X-Men) merecia um tratamento melhor nas telonas. O primeiro filme até que não acho de todo ruim. A origem está lá, bem fiel aos quadrinhos originais e tem aquela vibe de “família de heróis” que é a espinha dorsal do Quarteto. O filme é bem divertido, mas o problema fica por conta do vilão.

Victor Von Doom é um dos maiores vilões do Universo Marvel, mas sua versão aqui fica muito aquém do tirano monarca da Latvéria. Passamos pelo clichê básico do empresário cientista que está sendo traído pelo conselho diretor e, pronto, isso é tudo que precisamos pra fazer um vilão. E aí ele passa a atacar os heróis por… por que, mesmo? Sim, a troco de nada. Só por invejinha. Pffff.

A coisa já começa errada com Doom ganhando as habilidades junto com o Quarteto. Seria melhor ele já começar na pele do Dr. Destino, lembrar-se da rivalidade com Reed (já que os dois estudaram juntos) quando vê na TV a aparição do Quarteto e bolar um plano para usá-los a seu favor. Seria muito melhor um ápice em seu castelo na Latvéria e um confronto final no qual eles descobrem ser um robô o tempo todo. Ficaria um gancho muito melhor do que ele sendo transformado em estátua e transportado num container para a Latvéria.

Bem, nem preciso falar o quão ruim é o segundo filme né? A história mais clássica da Marvel, a vinda de Galactus para a Terra, e tudo no que conseguiram pensar foi numa nuvem de poeira cósmica? O único acerto foi ter o Dr. Destino tentando roubar os poderes do Surfista, mas até isso foi mal feito. E claro, a transferência de poderes só serve pro Johnny – sendo, óbvio, o personagem mais popular – virar o Superskrull no final e dar uma surra no vilão. Pra quem não sabe, o Superskrull é um vilão que detém todos os poderes do Quarteto.

O roteiro desse filme já estava pronto: Marvels nº 3. Tinha que começar com o céu pegando fogo, depois com pedras, o Surfista aparecendo, o encontro com o Vigia, Reed explorando a nave de Galactus e por aí vai. Dava até pra pirar um pouco mais e fazer um deles ficar perdido na Zona Negativa, dando um gancho ótimo pro terceiro filme. Mas ao invés disso, tivemos só uma aventurinha genérica com diálogos sofríveis. O que é a cena do Reed pagando de fodão pra cima do general? Gezuiz.

Finalmente, temos o reboot de 2015. Olha, demorei pra criar coragem para ver esse filme, de tanto que já tinha ouvido falar mal. Mas até que não é de todo ruim, esperava que fosse bem pior. Claro, perto desse aqui, o seu predecessor merecia um Oscar. Mas já começa com a ideia errada, de adaptar o Ultimate Fantastic Four, com a versão adolescente dos heróis. WTF né. O Quarteto é um grupo de exploradores, não um bando de heróis aborrecentes. Mas nesse filme, é exatamente o que temos.

Atores sem carisma nenhum (nem Kate Mara e nem Michael B. Jordan se salvam) e uma história de origem que se arrasta por 80% do filme. Clichezão básico de usar os poderes com fins militares e no fim, um vilão ultra-poderoso, que pode matar qualquer um com a velocidade do pensamento, mas que só não usa isso contra os heróis.

Será que, depois da compra da FOX pela Disney, finalmente veremos nas telonas a versão que o Quarteto merece? É o que todos esperamos.

Hulk do Ang Lee (2003)

Esse eu gosto muito, mas eu entendo que não é pra todo mundo. Quando você vai ver um filme do Hulk, quer ver a porradaria. Mas na real o Hulk é um personagem complicado, que passou por inúmeras transformações ao longo de sua história, e não é só mudança de uniforme, como acontece com outros heróis. Teve o Hulk clássico, o Hulk em que Banner controlava a transformação e permanecia com suas faculdades mentais, o Hulk separado do Banner, teve o Hulk Rick Jones, o Hulk Cinza, o Sr. Tira-Teima, o Hulk inteligente, de volta ao Hulk verde e raivoso e por aí vai.

Na década de 80, o roteirista Bill Mantlo justificou a diferença entre o Hulk verde/burro e o Hulk cinza/inteligente, como sendo aspectos diferentes da psiquê de Bruce, que sofria abusos do pai quando criança. Assim, o Hulk verde seria, na verdade, a representação de sua infância, ou seja, uma maneira de pensar mais infantil e muita raiva reprimida. Já o Hulk cinza representa sua adolescência, um gênio incompreendido que não consegue lidar direito com suas emoções. Mais tarde esse conceito foi utilizado por Peter David, que uniu todas essas personalidades e originou o Hulk verde e inteligente, com o intelecto de Banner.

Mas foi esses diferentes aspetos psicológicos que Ang Lee tentou trabalhar em sua película. O acidente com raios gama, na verdade, apenas liberou algo que estava contido há muito tempo. Então, apesar das críticas, o filme é muito fiel às HQs. E convenhamos, não tem nada mais clássico em se tratando do Hulk do que ver o monstro enfrentando militares no deserto.

As divisões da tela em quadros às vezes causam certa estranheza, mas é um jeito bem legal de homenagear a nona arte. O erro talvez tenha sido se arrastar demais no aspecto psicológico, além de fazer do pai o vilão. Acho que ele tinha que estar no filme, sim, mas fazer ele ganhar poderes e partir pra briga de fato, ficou bem brega, pra dizer o mínimo. Talvez tivesse sido mais interessante que ele tivesse sido o criador do Abominável, ou do Zzzax, por exemplo, ao invés de mandar um poodle vitaminado atrás da Betty. Vilões no universo Marvel é que não faltam.

Ainda assim, perto de outras pérolas que saíram na mesma época, considero um bom filme.

Homem-Aranha do Sam Raimi (2002, 2004 e 2007)

Ah, a trilogia que divide opiniões. Muitos amam, muitos odeiam. Mas não há que se negar que não fosse o primeiro filme, talvez não tivesse havido esse boom de filmes heróis que tivemos nas últimas duas décadas. Se é isso é bom ou não, deixo pros críticos avaliarem.

O primeiro Homem-Aranha provou que era possível fazer um filme de origem de super-herói. E extremamente fiel aos quadrinhos, diga-se de passagem. Raimi conseguiu resumir as primeiras fases do aracnídeo em duas horas. Leia os quadrinhos clássicos, está tudo lá: a luta no ringue, a amizade com Harry Osborn, o bullying do Flash, a paixão com Mary Jane, o senso de responsabilidade, o ódio do Jameson (perfeito na atuação de J.K. Simons). Só seria mais perfeito se ele na verdade namorasse Gwen Stacy e ela morresse na cena da ponte, outra cena mais do que clássica da Marvel. (Marvels nº 4).

Talvez o ponto fraco seja justamente o vilão, cuja loucura se desenvolve muito depressa, o visual não é lá grandes coisas e não tem uma graaaande motivação pra odiar o Homem-Aranha (ponto em comum com praticamente todos os vilões desses filmes, diga-se de passagem). Mas o confronto final é fantástico e ele morre exatamente igual acontece nos quadrinhos, deixando, é claro, o gancho para que Harry siga seus passos. Arco, aliás, que é o ponto forte de toda a trilogia.

Se o primeiro filme é bom, o segundo é ainda melhor, apresentando o maior inimigo do Aranha, Dr. Octopus, que foi incrivelmente interpretado por Alfred Molina. Temos outro clássico arco das HQs, quando Peter desiste de ser o Aranha, seu relacionamento com MJ se aprofunda e a cena em que ele conta para a tia May que foi responsável pela morte do tio Ben é foda demais.

Mas de novo, o problema fica por conta da motivação do vilão que, apesar de enlouquecido, quer continuar com seu projeto científico. Pra quê? O que caralhos ele quer provar? E o meio de fazê-lo é roubar um banco? Mais adiante, ele pede para Harry o componente que falta e Harry concorda apenas se ele trouxer o Aranha. Por que ele concordaria com isso, ao invés de encher Harry de porrada? Tudo bem, isso acaba originando a cena do trem, que é lembrada até hoje como uma das melhores cenas dos filmes do Aranha. Mas há de concordar que a coisa toda é meio mal construída.

E no fim, o Aranha vence no papo e faz Octopus desistir da parada que ficou o filme todo tentando construir e se sacrifica. Finalzinho bem mais ou menos. Mas ele fica com MJ, o que nos leva ao terceiro filme, que é uma salada. Por pressão do estúdio, Raimi concordou em colocar Venom no filme, que já contava com o Homem-Areia e o segundo Duende, então ficou inflado demais, com situações apressadas e descaracterizações de personagens. Se até aqui a coisa vinha sendo costurada de forma mais ou menos fiel, agora parece que o Raimi quis chutar o balde de vez.

Temos o retcon que coloca o Areia na morte do tio Ben, uma Gwen Stacy que não tem nada a ver com a personagem original, Peter emo tentando fazer ciúme na MJ e Eddie Brock franzino que passa o filme todo chorando que odeia o Peter Parker. Esse filme deveria ter sido focado só no Areia e no Harry, enquanto que a parada dos simbiontes mereceria uma outra trilogia.

Eu já falei em 2009 como eu acho que essa franquia de filmes poderia ter continuado. Não deveria ter matado o Octopus no segundo filme, sendo que o quarto poderia ser focado em Electro e Mysterio. No quinto filme poderia ter Abutre e Duende Macabro e assim, no sexto, teríamos o Sexteto Sinistro, com Octopus liderando esses quatro vilões e forçando o Homem-Areia a participar, exatamente como tivemos na saga “O Retorno do Sexteto Sinistro”, nos anos 90.

Já a parte dos simbiontes tinha que ser construída aos poucos, assim como Raimi fez com o Duende Verde. Num primeiro filme, ele descobre o simbionte, poderia enfrentar o Lagarto, Kraven ou o Devorador-de-Pecados, se livrando do uniforme no fim do filme, que encontra Brock. No segundo filme, agora com Peter já casado com MJ, o Aranha tem de lidar com Venom, até chega a conseguir separá-lo do simbionte, Brock vai para a cadeia, mas o simbionte o ajuda a escapar, deixando para trás a semente que gruda em Kletus Kassady. O confronto final se dá na ilha deserta, tal como nos quadrinhos, e o Aranha forja sua morte para enganar o inimigo. No terceiro filme, contudo, os dois tem de se juntar contra Carnificina.

Claro que tudo isso era sonho de fã. Hoje em dia, se fizerem um bom filme do Aranha já é lucro. E nem vou mencionar aqueles “Espetacular Homem-Aranha”. Tão ruins que nem valem o esforço.

X-Men (2000 em diante)

Bom, falar dos filmes dos mutantes merecia um post só deles, mas resumidamente, se a FOX acertou em alguma coisa, foi aqui. Junto com Blade e o primeiro Aranha do Raimi, o primeiro filme dos X-Men ajudou a provar de uma vez por todas que filme de super-herói era um negócio rentável.

O primeiro filme é uma boa intro dos heróis, mas X2 ainda acho que seja o melhor até hoje. O terceiro prometia muito, mas acabou tendo o mesmo problema que teve no terceiro filme do Aranha: encheram de personagens e correram com a história. Ele começa muito bem, com as mortes de Ciclope e do Professor X, o que lhe dá um senso de “putz, esse filme vai ser foda!”. Mas misturam a Saga da Fênix com o lance da cura mutante, e virou tudo uma salada. A Fênix deveria ter sido a grande vilã, mas depois que se junta a Magneto, ela fica relegada a segundo plano. Ela poderia ter cuidado de tudo sozinha na batalha final e ter feito mais um pouco, mas só fica lá, assistindo. Patético demais.

Depois temos a nova trilogia, que começa com “First Class”, que é bem legalzinho. O segundo, Dias de um Futuro esquecido, do qual falei recentemente, prometia muito, tem alguns acertos, mas o resultado geral é bem sofrível. Apocalipse, então, nem se fala e esse novo da Fênix, não tive a mínima vontade de assistir. Acho que já deu também de filme dos X-Men.

Claro, tem os filmes solo do Wolverine, que só vão melhorando. O primeiro é tosco demais, o segundo é bem legal e o terceiro é foda. Ok, poderia ter feito uma resenha muito melhor que essa, mas o texto já está ficando cumprido demais.

Ah, sentiu falta dos filmes do MCU? Bem, eu falei deles aqui, aqui e como deveria ter sido Ultimato aqui. Divirta-se!

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