Sonic Mania e a história dos Sonics

Imagine uma realidade alternativa onde saiu um SONIC 4 ainda nos anos 90. Esse jogo é SONIC MANIA.

A maioria de nós era ainda criança/adolescente quando o primeiro Sonic saiu no Mega Drive, em 1991. Esse novo jogo é feito para nós justamente por isso: nos pega pela nostalgia. Depois de mais de 20 anos sem um jogo decente, finalmente vemos um jogo do ouriço azul que homenageia a franquia original à altura, ao mesmo tempo em que traz novidades. Também, pudera: o jogo foi feito por um fã.

Mas vamos dar uma recapitulada antes de falar de Sonic Mania. Desde Sonic & Knuckles, a franquia passou por jogos 3d, jogos metade 2d e metade 3d, 2d de novo e nunca emplacou um título que realmente agradasse todo mundo. Então, vamos do começo.

A série original (Sonic 1, 2, 3 e Sonic & Knuckles):

O primeiro jogo foi uma sensação imediata, focado em níveis de alta velocidade onde Sonic libertava os animais presos pelo Dr. Robotnik para transformá-los em robôs e com isso tentar dominar o mundo. Neste game inicial, havia apenas 6 esmeraldas a serem coletadas e elas não tinham a habilidade de transformá-lo no Super Sonic.

O ano seguinte já trouxe a sequência, que apresentava Tails e acrescentava a sétima esmeralda na história. Desta vez, Robotinik quer pegar as esmeraldas para energizar sua estação bélica espacial, a Death Egg. O jogo inaugurou o “Spin Dash” do Sonic, movimento que permitia carregar a velocidade “virando bolinha” antes de partir em disparada. Também foi a primeira vez que ele poderia virar o Super Sonic após coletar todas as esmeraldas.

Esse foi o jogo que mais joguei, pois veio junto com meu Mega Drive ganho de natal (obrigado, pai e mãe!). Se ganhasse um real a cada vez que fechei esse jogo… de tudo que é jeito, diga-se de passagem. Quem se lembra das “manhas” para seleção de fases, SuperSonic e Debug Mode? De cabeça: 19-65-9-17 / 4-1-2-6 / 1-9-9-2-1-1-2-4. Ah, que saudade.

As fases finais também eram muito legais por trazer o avião do Tails, a luta na fortaleza aérea e a ida para o espaço, onde você enfrentava Metal Sonic (também, primeira aparição) e o “robozão” final de Robotnik. Saudades!

A sequência só veio em 94, mas foram lançados dois jogos conjuntamente: Sonic 3 e Sonic & Knuckles. Este último vinha com a opção de acoplar os outros jogos junto a ele. Se você colocasse Sonic 1, tinha acesso a dezenas de fazes de bônus. Com Sonic 2, poderia jogá-lo com Knuckles. E com o 3, que era o ideal, você jogava os dois jogos em sequência, também podendo escolher entre Sonic, Tails ou Knuckles.

Na história, Robotnik encontra a Master Emerald após seu confronto com Sonic no Death Egg, e planeja usar o poder da jóia para restaurar sua base. Ele consegue enganar o guardião da jóia, Knuckles, e jogá-lo contra Sonic. Começa, então, a nova jornada do ouriço e da raposa para deter o vilão mais uma vez, agora no reformulado Death Egg.

De novidades, o jogo trouxe três novos escudos (água, fogo e elétrico) e o “pulo duplo” dos personagens. Com Sonic realmente não acontecia muita coisa, exceto quando ele estava com um dos escudos. Tails agora poderia voar e Knuckles consegue planar, além de sua habilidade de escalar paredes. As Special Stages agora ficam escondidas no mapa, na forma de “argolões”. Os totens de checkpoints, que antes levavam para as Special Stages, agora levam a fases de bônus. Também as fases ganharam uma certa continuidade, com “mini-cinematics” entre uma e outra.

A história de um jogo para outro é contínua e conduz ao inevitável confronto entre Sonic e Knuckles. Após o embate, o guardião das esmeraldas se junta a Sonic e Tails para deter Robotnik. Uma grande sacada é que você só consegue enfrentar o boss final se tiver coletado as esmeraldas, pois você precisa do Super Sonic para enfrenta-lo no espaço. Muito bacana.

Jogos que fizeram a alegria da “piazada” nos anos 90 e com certeza deixaram saudades. É claro, houveram outros, fora da cronologia principal, mas falarei disso mais adiante.

A Era Dreamcast

O Dreamcast foi um projeto ambicioso da SEGA, que acabou não dando certo, mas o console inaugurou uma nova fase nos jogos do ouriço em 1999 com Sonic Adventure. Agora em 3d, os personagens foram reformulados e ficaram com uma cara mais “radical”, além de ganharem vozes. Foi aqui que Robotinik foi rebatizado para “Eggman” (blergh).

Além destas novidades, Sonic também ganhou o “homing attack”, uma espécie de pulo duplo com ataque a inimigos próximos. Um ponto forte nas mudanças certamente foram as músicas, excepcionalmente bem feitas e muitas delas cantadas.

O enredo é essencialmente o mesmo que o dos jogos anteriores, com a diferença de que agora o Dr. Robotnik acaba libertando uma entidade ancestral, Chaos, que detém o poder das esmeraldas. Mais uma vez, sobra para o Super Sonic resolver a parada.

A sequência veio em 2001, apresentando pela primeira vez “Shadow”, que muitos conhecem como “Sonic negro”. Ocorre que Robotnik descobre que esse novo ouriço fora criado pelo seu avô 50 anos atrás e decide usá-lo em seus planos malignos.

O grande lance do jogo é que você pode escolher entre o modo “Hero” e o modo “Dark”. Escolhendo o primeiro, você joga com Sonic, Tails e Knuckles. Já do outro lado, você joga com Shadow, com a morcego fêmea Rouge e com o próprio Robotnik.

Apesar de serem bons jogos para a época, as mudanças acabaram sendo “radicais” demais, o que possivelmente levou ao afastamento dos fãs mais “fervorosos” da série. Esses jogos eu nunca joguei, mesmo porque não tinha dinheiro para comprar um Dreamcast na época. =D

Dessa geração, houve ainda o jogo “Sonic Schuffle“, de 2000, que era uma espécie de jogo tabuleiro.

Playstation 2, Xbox Clássico, Game Cube e PC

Com o fim do Dreamcast, o próximo jogo do Sonic só seria lançado em 2004, para as plataformas de maior sucesso na época. Sonic Heroes levou a ideia do jogo anterior, de ter dois modos de jogo, a um novo nível: agora seriam 4 histórias, cada uma jogada por times.

“Team Sonic” traz novamente Sonic, Tails e Knuckles; “Team Dark” traz Shadow, Rouge e um robô traidor, E-123 Omega; “Team Rose” traz Amy, a coelha Cream e o gato mongolóide Big; e “Team Chaotix” traz Victor, Espio e Charmy (personagens que apareceram no jogo solo do Knuckles para 32X).

Cada personagem nos times possui um atributo correspondente, a saber: velocidade, força e vôo e você precisa alternar entre eles várias vezes durante as fases para seguir adiante. A história de cada time é bem interessante (exceto Team Rose, óbvio, de longe o mais chato) e eventualmente eles enfrentam-se entre si, até derrotar Robotnik uma vez mais.

Mas o grande vilão dessa vez é Metal Sonic e, para derrota-lo, Sonic transforma não apenas a si mesmo com o poder das esmeraldas, mas também Tails e Knuckles, essenciais na batalha final.

Evidentemente, esse jogo deu um “up” nos gráficos e nas cinematics, trazendo também a história de volta a um nível mais “Sonic”, ou seja, voltando a focar em aspectos dos animais da ilha e nas esmeraldas, esquecendo a parte dos militares que apareceram na série Adventure, que, diga-se de passagem, foi pra lá de bizarro.

Shadow The Hedgehog foi lançado no ano seguinte, focando a história no antagonista de Sonic, que investiga seu passado em busca de respostas. O jogador pode fazer escolhas no decorrer da trama que influenciarão na personalidade de Shadow: bom, mau ou neutro. Mas a maior crítica a esse jogo foi o fato de que o protagonista pode usar armas e veículos, algo totalmente sem sentido dentro da franquia Sonic.

Playstation 3, Xbox 350 e Nintendo

Em 2006, para comemorar os 15 anos do primeiro jogo, a SEGA decidiu lançar um game comemorativo para inaugurar uma nova fase na franquia, batizado da mesma forma que o original: Sonic The Hedgehog. O jogo trazia três novos personagens – Silver, the Hedgehog, a princesa (?) Elise e outro ouriço chamado Mephiles – além de trazer de volta praticamente todo o elenco de Heroes.

Apesar das cutscenes serem magníficas, os gráficos in-game não eram lá grandes coisas e trouxeram de volta a mania do “Adventure” de colocar os humanos no jogo. Isso, aliado ao fato de que ficou mais com cara de RPG do que de aventura, fez o jogo ganhar severas críticas, o que contribuiu mais ainda para a má fama do Sonic Team que já vinha de mal a pior desde a Era Dreamcast.

A coisa não melhorou muito com Sonic Unleashed, de 2008. O game seguia mais ou menos a mesma engine do anterior e nele, Sonic podia virar um lobisomem (???). É, ninguém entendeu essa.

Em seguida, veio a tentativa de reviver os clássicos 2d com Sonic 4. A ideia era lançar o game em episódios, sendo que o primeiro saiu em 2010 e o segundo em 2012, com gráficos atualizados para a nova geração. Particularmente, eu até gostei desses games, mas a jogabilidade esquisita incomodou os fãs, que não perdoaram e continuaram malhando a SEGA. Tanto que o terceiro episódio acabou sendo cancelado.

Em comemoração aos 20 anos, 2011 trouxe o lançamento de Sonic Generations, em que os dois Sonics (o barrigudinho e mudo dos games clássicos e o esguio e “radical” dos jogos novos) se encontravam. Com remakes de fases antigas e uma mistura de 2d e 3d, o jogo dividiu opiniões e eu já dei a minha aqui.

Particularmente, até gostei dos remakes e da história do jogo, mas detestei o boss final e o fato de você precisar jogar os desafios para avançar na história. No saldo final, contudo, ainda acho um bom jogo.

Generations foi o último no estilo aventura feito multi-plataforma nessa geração. Contudo, desde 2005 a SEGA fechou um acordou com a Nintendo para produção de jogos para seus consoles, o que até foi considerado uma blasfêmia por muitos. Foi daí que nasceu Sonic & Mario, Sonic and the Secret Rings, Sonic Colors, Sonic Lost World, entre outros. Não sei nada sobre esses jogos, mas pelo pouco que deu para ver em Generations, Sonic Colors parece bem divertido.

Outros Jogos

Durante todos esses anos, Sonic teve dezenas de jogos nas mais diversas plataformas, sem contar aqueles feitos por fãs. Na Sonic Wikia há uma lista com todos os jogos lançados, em ordem cronológica ou por gênero, e em Power Sonic há uma centena de outras informações, em português. Irei listar aqui alguns dos principais:

Sonic CD (1993), para Sega CD e PC: uma nova aventura envolvendo Sonic, Amy (primeira aparição), Metal Sonic e, claro, o Dr. Robotnik, que desta vez está atrás das pedras do tempo;
Sonic Spinball (1993), para Mega Drive: jogo estilo pinball.
Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine (1994), para Master System, Game Gear e Mega Drive: jogo estilo “Tetris”.
Knuckle’s Chaotix (1995), para 32X: jogo solo do equidna escarlate, apresentando pela primeira vez Vector (crocodilo), Espio (camaleão), Charmy (abelha) e Mighty (tatu).
Sonic 3d Blast (1996), para Mega Drive e Saturn: uma primeira tentativa de se fazer um jogo 3d com o Sonic, a história era meio que um remake do primeiro game.
Sonic Jam (1997): compilação dos principais jogos do Mega para Sega Saturn.
Sonic Riders (2006), para Playstation 2, Xbox, Game Cube e PC: jogo de corrida.
Mario & Sonic at the Olympic Games (2007), para Nintendo Wii e DS.
Sonic and The Secret Rings (2007), para Nintendo Wii: jogo estilo RPG.
Sonic Riders: Zero Gravity (2008), para Playstation 2, Xbox, Game Cube e PC: jogo de corrida.
Sonic Chronicles (2008), para Nintendo DS: RPG.
Mario & Sonic at the Olympic Winter Games (2009), para Nintendo Wii e DS.
Sonic and The Black Knight (2007), para Nintendo Wii: RPG.
Sonic Colors (2010), para Nintendo Wii e DS.
Sonic Lost World (2013), para Nintendo Wii U e 3DS.
Sonic Boom: Rise of Lyric (2014), para Nintendo Wii U.

Sonic Mania

Nostalgia pura, essa é a palavra que resume o mais novo jogo. É como se a história continuasse depois de Sonic & Knuckles, com os três personagens indo mais uma vez atrás de Robotnik.

E é isso mesmo que acontece. Na história, Sonic, Tails e Knuckles vão investigar um sinal vindo da Angel Island, mas os robôs de Robotnik chegam antes no local e descobrem o Phantom Ruby, outra pedra preciosa que acaba enviando-os ao passado (o que justifica eles passarem novamente por algumas fases dos jogos anteriores). Agora, os três têm de vencer obstáculos novos e antigos para deter os planos do vilão mais uma vez.

Sonic Mania foi desenvolvido por Christian Whitehead, um maníaco por Sonic que chegou a fazer sozinho uma nova versão do Sonic CD em 2011. A SEGA acabou contratando o cara que, junto com uma talentosa equipe, desenvolveram o novo game.

Temos os gráficos pixelados da época, os escudos de volta, os “argolões” escondidos nas fases e uma novidade para o Sonic: o salto duplo agora faz uma espécie de ataque para frente, de forma que você aterrissa já na forma de “bolinha” ganhando um impulso de velocidade.

Temos fases “remake” e fases novas. As primeiras parecem idênticas às originais a primeira vista, mas apresentam muitas novidades, especialmente no Ato 2. E mesmo as novas fazem dezenas de referências às fases antigas.

Minha crítica fica apenas para as Special Stages (aquelas para pegar as esmeraldas) e as fases de bônus. As primeiras são bem difíceis, mas você acaba pegando o jeito depois de um tempo. Há um “glitch” que pode ser feito que facilita a vida, pulando com Sonic para o lado e segurando o botão para trás, mas minha burrice não me permitiu fazer isso e tive que pegar na raça. Sofrimento total, mas poderia ser evitado se tivessem colocado a opção “Try Again”. Os caras sabem que você vai sair da fase e entrar de novo para pegar o mesmo argolão, então porque não facilitar a vida?

Já as fases de bônus remetem às Special Stages do Sonic 3 & Knuckles, que eu já detestava então, mas eu conseguia me virar. O problema agora é que o controle tem um certo “delay”, que atrapalha MUITO, especialmente quando Sonic está na terceira velocidade. Não consegui finalizar nenhuma. Por sorte, não serve para muita coisa, exceto para desbloquear coisas extras no jogo, como o “Debug Mode”, o modo “& Knuckles”, entre outras coisas.

Também, eu não curti muito as cinematics, que ficaram muito com cara de animê. Alguns podem dizer que faz sentido, já que o personagem foi criado no Japão, mas eu, particularmente, detesto.

As fases do jogo são as seguintes:

– Green Hill (claro);
– Chemichal Plant (de novo! O que é que o pessoal tanto vê nessa fase do Sonic 2?);
– Studiopolis: fase nova, bem divertida, com referências a Spring Yard, do primeiro Sonic, e Carnival Night, do Sonic 3;
– Flying Battery (Sonic 3): com óbvias referências à Wing Fortress;
– Press Garden: fase nova, com referências a Marble Garden e Icecap, do Sonic 3;
– Stardust Speedway: fase nova, com referências a Casino Night (Sonic 2) e tendo Metal Sonic como boss;
– Hydrocity (Sonic 3): o chefe é uma mistura com a perseguição da Labirinth (Sonic 1) com o chefe original da Hydrocity, mas com uma inversão: agora é Sonic quem está na nave e tem que “puxar” Robotnik, que está na água, com a hélice da nave. Muito doido.
– Mirage Saloon: fase nova, com referências a Sky Chase (Sonic 2) e Sandopolis (Sonic & Knuckles). Muito legal;
– Oil Ocean (Sonic 2, mas tem referências a Sandopolis Ato 2);
– Lava Reef (Sonic & Knuckles);
– Metallic Madness: fase nova, com referências a Scrap Brain, Metropolis e todas essas fases estilo “fortaleza/fábrica”;
– Titanic Monarch: fase nova e a mais difícil de todo o jogo.

E é claro, assim como em Sonic & Knuckles, você precisa virar o Super Sonic para enfrentar o boss final.

Em suma, é o jogo que os fãs mais antigos estavam esperando, e também uma bela porta de entrada para os novos. Diversão na certa.

 

 

 

 

 

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