O Nevoeiro (série)

Versão resumida: leia o livro, veja o filme, fuja da série.

Agora, vamos à versão longa. Eu já havia falado da obra original e de sua adaptação de dez anos atrás, aqui mesmo no blog. Uau, dez anos já. O tempo voa. Enfim! O filme de 2007 é bastante fiel ao conto original, publicado no livro “Tripulação de Esqueletos”, de Stephen King. Há alteração de um detalhe aqui e ali e, sobretudo, no final, onde, na minha opinião, o filme se sobressai.

Quando eu soube que iria estrear uma série da NETFLIX baseada no material original, estranhei. O conto não é tão cumprido assim para justificar a produção de uma série. Mas logo no primeiro episódio fica claro o que os produtores quiseram fazer. A única coisa em comum com o conto é o nevoeiro em si e os militares do projeto “Ponta de Flecha”. De resto, tudo o mais é uma adaptação livre.

O piloto começa com um soldado, Bryan, acordando sem memória e logo percebe o nevoeiro se aproximando. Ele corre para a delegacia da cidade mais próxima, enquanto vamos conhecendo os demais personagens. O protagonista agora é Kevin, que tem uma esposa com uma má-fama na cidade e uma filha, que acaba indo numa festa naquela noite e sendo abusada sexualmente. Ou assim ela diz.

Seu melhor amigo é um rapaz bissexual meio gótico, que é importante para a trama. Temos uma viciada bandida que está atrás de uma grana que escondeu e só pensa em fugir, uma velha louca que idolatra a natureza, o policial que é pai do garoto que teria abusado a filha de Kevin, e mais alguns personagens menos importantes.

Aos poucos, os mesmos temas abordados no livro vão transparecendo. Quando o nevoeiro chega, Kevin está na delegacia de polícia junto com o amigo da filha e eles são abandonados pelo policial, o que os obriga a se aliar ao soldado desmemoriado e à bandida viciada.

Ao mesmo tempo, pessoas se reúnem na igreja local, inclusive a velha doida, enquanto que a esposa e filha de Kevin ficam presas no shopping, que dá lugar ao supermercado do original. A velha maluca ocupa o lugar da Srta. Carmody, despontando como a fanática religiosa que surge com uma solução. A diferença é que ela não idolatra Deus, e sim a natureza, mas no fim das contas, é ela quem pedirá um sacrifício humano para resolver a situação.

No shopping, as coisas vão ficando tensas na medida em que o tempo vai passando e o desespero vai ficando cada vez maior. Kevin e os demais iniciam a jornada para chegar até o shopping, que vira e mexe é interrompida por algum motivo, o que meio que começa a irritar em vários momentos.

É aí que entramos nos problemas da série. O fato de se distanciar tanto do conto e do filme não seria problema, se fosse uma boa história. Mas o roteiro é fraquíssimo e as atuações são pobríssimas. Personagens rasos e recursos preguiçosos de roteiro é apenas a ponta de um iceberg composto por um material de péssima qualidade.

Tanto que o mais interessante da série se baseia num dos clichês mais usados de todos os tempos: o cara sem memória, que possivelmente tem todas as respostas sobre o nevoeiro. A atriz que faz a viciada até trabalha bem, mas fica difícil de engolir como ela se envolve com Bryan – que depois descobre seu nome verdadeiro – em tão pouco tempo e fica perdidamente apaixonada por ele.

A tal da garota abusada só sabe fazer a mesma cara apática a cada cena e você chega a torcer para que ela morra de uma vez, o que infelizmente não acontece. E quanto finalmente é revelada a verdade sobre o tal abuso, nem chega a ser tamanha surpresa.

Mesmo o nevoeiro é bem diferente do original. Antes, a neblina aparentemente vinha de outra dimensão, acobertando criaturas monstruosas que lá viviam. Agora, parece ser uma espécie de experimento científico, que consegue materializar os medos das pessoas. E em certo momento, o próprio nevoeiro ganha vida para matar um dos personagens.

Enfim, a série termina com um gancho para a segunda temporada, onde aparentemente os personagens irão em busca de respostas. Mas honestamente, se depender do nível de qualidade, nem acredito que uma segunda temporada seja produzida. E se chegar a sair, duvido muito que melhore.

Nem perca seu tempo assistindo a esse lixo. Como eu disse no começo do post, vá ler o livro e veja o filme, que valem bem mais a pena.

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