A Insomniac fez seu nome com os dois jogos do Homem-Aranha, então a expectativa para o jogo solo do Wolverine estava alta. No entanto, logo após seu lançamento, choveram críticas em cima. Mas e aí, será que essas críticas tem algum fundamento?

Apesar de ter sido criado há quase 50 anos (primeira aparição dele em Incredible Hulk # 180, de 1974 – no Brasil, Grandes Heróis Marvel # 26, da Abril, ou Wolverine: Antologia, da Panini) por Len Wein e John Romita Sr., jogos do mutante nervosinho são raros. Nesse tempo todo, apenas 5 games foram dedicados exclusivamente ao Wolverine (sem contar participação em outros jogos, como os Marvel vs Capcom da vida):

Wolverine (1991) – Nintendo.
Wolverine: Adamantium Rage (1994) – para Mega Drive e SNES. Esse foi o único da lista que joguei, e lembro que era difícil pra cacete!
X-Men: Wolverine’s Rage (2000) – Game Boy.
X2: Wolverine’s Revenge (2003) – PS2, Gamecube, Xbox.
X-Men Origins: Wolverine (2009) – PS3, Xbox 360, PC, etc…

Com um hiato de 17 anos e com produção da Imsoniac, a expectativa de Marvel’s Wolverine estava nas alturas. Desde seu anúncio, no entanto, a empresa já havia deixado claro que não se tratava de um jogo de mundo aberto, como os jogos do Homem-Aranha, mas sim focado em uma história linear, o que já fez muita gente torcer o nariz.

Eu, particularmente, não ligo, desde que seja um jogo bem feito, pois afinal de contas, não está barato: o jogo base está saindo por R$ 400,00 praticamente. Fiquei preocupando, então, quando saíram as primeiras críticas dizendo que dava pra fechar o jogo em 15 horas. Aí, decididamente, não valeria a pena.

Felizmente, não foi o caso. Levei umas vinte e tantas horas pra fechar e mais umas tantas pra platinar, totalizando 36 horas (ou seja, ou eu sou muito ruim – o que é bem provável – ou quem fechou em 15 horas usou a dificuldade mínima e foi pulando todas as cutscenes). Ainda assim, é pouco se comparado com os jogos do Aranha, em que devo ter jogado umas 60 horas cada um, pra mais até. Então, é pouco jogo pra um valor bem elevado, mesmo que lancem uma DLC depois (nada previsto por enquanto nesse sentido).

Mas vamos à história, sem muito spoiler: nesse universo, os X-Men não existem e Logan foi encontrado por Nathaniel Essex 30 anos atrás, enquanto agia feito um animal selvagem nas florestas do Canadá. Sem lembranças sobre seu passado, ele logo acabaria se juntando ao “Time X” formado por Essex: Dentes-de-Sabre, Mística e outros que vão fazendo aparições ao longo do jogo, pessoalmente ou como referências. É o caso, por exemplo, de Maverick, que os fãs dos quadrinhos vão reconhecer pela máscara, mas que não é mostrado como personagem. Aliás, referência no jogo é o que não falta e os fãs mais ardorosos certamente vão curtir.

Pode-se dizer que o enredo se divide essencialmente em três atos, sendo o primeiro focado em Bolivar Trask, ferrenho inimigo dos mutantes e criador dos Sentinelas. Ele emprega um exército próprio e também os Carniceiros em seu plano de extermínio dos mutantes. Ao persegui-lo, Logan se depara com Jean Grey pela primeira vez e ajuda ela e os Morlocks a se livrarem dos inimigos.

O segundo ato é centrado no Tentáculo e no sequestro de um cientista aliado ao Time X, chamado Walter Langkowski, e na busca do culto por um estranho artefato chamado Agente Helix, capaz de despertar mutantes dormentes. E se você está se perguntando se vemos a contraparte de Walter das HQs – o Sasquatch – a resposta é sim: muito embora você acabe não enfrentando ele no jogo, o que é meio frustrante.

E por fim, se você conhece os X-Men, sabe que Essex é também conhecido como Sr. Sinistro, um dos maiores inimigos do grupo e é claro, ele se torna o vilão no terceiro ato do jogo. Além disso, a verdade sobre ele e o passado do Wolverine vão sendo desvendados pouco a pouco, numa intrincada trama que é bem construída.

Vamos aos pontos positivos: quase todos os críticos concordam que o combate é impecável. Bem sanguinolento, cheio de mecânicas diferentes que você vai desbloqueando no decorrer do jogo e com confrontos espetaculares com os chefes, que incluem: Ômega Red, um Sentinela protótipo, Lady Letal (Deathstrike), Dentes-de-Sabre e, claro, Sinistro. Cada um bem diferente um do outro, sendo o penúltimo talvez o mais desafiador, pelo fato dele também ter fator de cura, o que pode acabar prolongando bastante o confronto se você não conseguir acertar corretamente os golpes.

Como em outros jogos do Wolverine, há um a barra de fúria em três níveis, que cresce na medida em que você vai acertando golpes nos inimigos. O terceiro nível lhe permite dar golpes mais poderosos e é um deleite sempre que você consegue atingir esse ápice.

E há aqueles momentos cinematográficos bem padrão Insomniac, que fazem valer a pena você mergulhar de cabeça no jogo. Um confronto com o Tentáculo em um avião, por exemplo, certamente está entre os pontos altos do jogo.

As habilidades são legais, há vários colecionáveis para serem buscados (os fãs vão curtir os diferentes uniformes, apesar deles não possuírem habilidades diferentes como para o Aranha) e o desafio, no geral, é bem moderado.

Agora, aos pontos negativos: há um excesso gigantesco de cutscenes desnecessárias e também aqueles momentos tediosos entre um capítulo e outro em que você só tem que ficar andando pra lá e pra cá e conversando com os personagens. Isso irrita um pouco, mas não chega a estragar.

Agora, com tantos parceiros ao longo da narrativa, Jean acaba se destacando mais. E sei lá, apesar dela ser um interesse romântico nos quadrinhos – ainda que casada com Ciclope – aqui achei bem estranha a dinâmica entre os dois. É legal ter ela como aliada, mas poderiam ter outros para variar um pouco. Tem um personagem BEM LEGAL que você encontra em Tóquio (não vou dizer quem é pra não estragar a surpresa, mas sendo um mutante japonês, você já deve adivinhar de quem estou falando) e que poderia ter aparecido mais em outras lutas, mas essencialmente só aparece no final.

Esse destaque excessivo da Jean tanto na jogabilidade quanto na história meio que enche o saco e não parece se encaixar direito na trama. Talvez porque estejamos acostumados a ver ela como X-Woman e não como mais uma mutante sanguinária (sim, ela mata tanto quanto o Wolvie durante a história), o que acaba causando estranheza.

Tem isso, e os demais personagens que acabam ficando subaproveitados. Até existem momentos em que você tem Mística e Dentes-de-Sabre como aliados, mas penso que teria sido mais interessante uma variedade maior de aliados em cada fase, com diferentes habilidades, para quebrar a monotonia.

E sem querer chover no molhado, mas também acho que poderia ter tido mais algumas horas de gameplay, com outros tipos de inimigos, pois chega no final e já está meio que cansando. Mas apesar da linearidade do jogo, ele compensa isso com desafios que vão desbloqueando suas memórias e outras habilidades.

Agora, sobre as críticas que pipocaram aí nas redes sociais, cuidado, pois nem tudo é o que parece. Muita gente reclamando do tal “rastro azul” que indica o caminho que Logan deve seguir, mas isso não é verdade. Esse rastro aparece em alguns momentos apenas, indicando que é um odor que o mutante está rastreando, o que não é uma mecânica assim tão rara. Tem vários outros jogos que se valem de técnicas parecias.

Também reclamaram que o jogo “se joga sozinho”, o que é outra mentira. Sim, as cenas de moto são meio toscas, mas são apenas 2 e não devem somar 5 minutos em todo o tempo de gameplay. É coisa que passa batido fácil e se você acha que pode ir batendo nos carros e obstáculos de boa e nada vai acontecer, segue batendo para ver o que acontece.

Bugs. Sim, existem, o que é bem chato para um jogo desse valor e infelizmente está se tornando um padrão na indústria: mal testam o jogo, verificação de qualidade feita nas coxas e lançam assim mesmo, porque depois sempre pode corrigir com patches. Isso é irritante, mas preciso se honesto aqui: não é nada que atrapalhe a jogabilidade. É um ou outro bug que acontece em momentos bem específicos, mas também não saí caçando defeitos.

Em resumo: é um jogo bem feito, divertido e com jogabilidade incrível. Vale o preço? Com certeza não. Mas se você não quer esperar baixar (o que seguramente deve demorar), então vai fundo. Esqueça as críticas e jogue por si mesmo. Se você é fã do Carcaju, com certeza não vai se arrepender.

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