Seguindo em frente em nossa análise comparativa e avançando até o segundo livro da série.

LIVRO III

1. A Partida de Boromir
2. Os Cavaleiros de Rohan
3. Os Uruk-hai

Conforme descrito na parte anterior, o primeiro capítulo do Livro III, nos filmes, foi condensado junto ao último capítulo do Livro II, contando numa tacada só a separação da Sociedade, o ataque dos Orques e a morte de Boromir. Na verdade, a cena em que o Orque flecha Boromir enquanto este luta para devender Merry e Pippin, no final do primeiro filme, foi uma interpretação do que deve ter acontecido, já que isso fica subentendido no livro. Quando Aragorn encontra Boromir após ter ouvido sua trompa tocar, ele já está às portas da morte.

O segundo filme, As Duas Torres, começa com uma retrospectiva da Queda de Gandalf, mas vai além, mostrando parte do confronto traçado entre o mago e o Balrog de Morgoth. Mais uma vez, uma decisão acertada, já que é interessante envolver o espectador nesse confronto, aumentando o suspense sobre o retorno do mago.

Vale lembrar que os filmes contam a história de Sam e Frodo e do restante da Sociedade de forma intercalada, enquanto que o Livro III foca nos acontecimentos de Rohan e o Livro IV volta a mostrar a jornada dos dois hobbits em Mordor. Continuaremos narrando os acontecimentos pela ordem dos capítulos dos livros, que aqui primeiramente mostra o ponto de vista da caçada, no qual Aragorn, Legolas e Gimli tentam desesperadamente seguir os rastros do bando de Orques que capturaram Merry e Pippin.

Nos filmes talvez não fique claro, mas essa caçada dura alguns dias, com os três amigos exaustos tentando seguir o rastro dos inimigos incansáveis e tendo de tomar decisões difíceis, como parar para descansar ou continuar sem parar e correrem o risco de exaurirem suas forças, além de suposições sobre o caminho que tomariam. Também não sabemos se a caçada não será em vão, pois tal como os três, não sabemos se os dois hobbits estão vivos ou não. Não há, no livro, a cena que mostra Pippin deixando cair a folha de Lórien, contudo, Aragorn a encontra, o que lhes dá algum lampejo de esperança.

Também não há nos livros o contexto prévio do que está se passando em Rohan. Não somos introduzidos previamente a Éowyn, Grima Língua-de-Cobra e ao Rei moribundo, nem há a cena em que a primeira chora sobre o cadáver do filho do Rei, uma vez que só somos apresentados a esses personagens quando nossos heróis os encontram pela primeira vez. Também não há a determinação de Língua-de-Cobra de expulsar Éomer e os Rohirrim de lá, mas é claro que isso fora incluído nos filmes para acrescentar um fator dramático, quando do retorno desses e a salvação de Rohan na batalha do Abismo de Helm.

Mas estou me adiantando. O encontro com Éomer e seus cavaleiros se dá de forma bastante parecida, embora, é claro, o diálogo traçado entre eles e Éomer seja bem mais extenso. Após a separação e o empréstimo dos cavalos aos três, eles se separam e ainda montam acampamento próximo de onde os cavaleiros massacraram os Orques. Naquela noite, Gimli monta guarda e em certa ocasião, tem a impressão de ver de relance um mago branco. Os cavalos fogem. Somente mais à frente fica esclarecido que o mago era Saruman (caso se recorde da fala de Éomer no filme, ele realmente afirma que o mago branco tinha o costume de espionar as terras de Rohan), mas ele não fora o culpado pela fuga dos cavalos, e sim Scadufax.

A versão estendida também mostra os mercenários jurando lealdade a Saruman e o porquê deles estarem derrubando as árvores de Fangorn. O livro deixa claro que Saruman sabia da existência dos Ents, mas preferiu ignorá-los, o que, como sabemos, seria a principal causa de sua ruína.

O capítulo 3 narra em detalhes a estrada de Merry e Pippin com os Orques, mostrando as diferenças entre as tribos, a discórdia e a ameaça de traição constante entre eles. Também deixa mais claro que por conta dessa natureza traiçoeira, Saruman não deu detalhes sobre suas ordens, afirmando apenas que eles deveriam capturar os hobbits e trazê-los sobre sua presença. Em nenhum momento eles souberam que algum, dentre os capturados, poderia ter o Anel do Poder e há uma breve discussão sobre isso na versão estendida, quando um dos monstrengos comenta sobre a possibilidade de alguma das vítimas possuir uma arma vital para a guerra.

É preciso abrir um parêntese aqui, pois há mais detalhes sobre as intenções de Saruman nos livros. Apesar dele ter traído seus antigos amigos, é revelado que ele muito provavelmente almejava também trair Sauron, caso tivesse tido acesso ao Um Anel. Na eventualidade dele vencer a guerra contra Rohan, seu próximo passo muito provavelmente seria marchar contra Mordor.

Voltando a Merry e Pippin, ele e os Orques logo acabariam encurralados pelos Rohirrim e, como sabemos, os dois usariam a oportunidade do confronto para escapar para a floresta de Fangorn. A principal diferença é que eles entram na floresta sozinhos, e não perseguidos por um Orque para serem salvos pelo Barbárbore. O encontro com o Senhor dos Ents demoraria um pouco mais.

4. Barbárvore

Os dois hobbits avançam floresta adentro por um bom tempo antes de encontrarem com Barbárvore. Eles bebem da água do Entágua e revigoram suas forças de maneira sobrenatural, o que dá a entender que foram as águas desse rio que acabariam dando vida a esses estranhos seres.

A versão estendida mostra algo parecido, numa cena cômica em que Pippin bebe a água e começa a fazer sons parecidos com dos Ents e ganha mais altura. Merry percebe o que está acontecendo e os dois começam a disputar pela água, mas acabam presos nas raízes de um Salgueiro, numa clara alusão ao que acontece no Capítulo 6 do Livro I. A diferença, claro, é que aqui eles são salvos pelo Barbárvore e não por Tom Bombadil, embora as palavras ditas sejam as mesmas: Coma terra, cave fundo, beba água. Vá dormir!

Também, é claro, há mais detalhes sobre Fangorn e sobre a história dos Ents e sobre como eles se perderam das Entesposas e por conta disso, há séculos não existem mais Entinhos, e sua raça está minguando, o que também é contado na versão estendida. Nesta versão, a cena em que Barbárvore os carrega até seu lar é mais comprida, deixando claro o tédio pelo qual passam os dois hobbits. Os Ents, decididamente, não tem pressa para nada.

Neste mesmo capítulo ocorre o Entencontro para decidir se os Ents irão à guerra ou não. É claro que isso se arrasta bem mais do que é mostrado no filme e os hobbits aguardam a decisão final junto a outro Ent, chamado de Entesperto. Um dos raros Ents que é considerado “apressado” para os padrões deles e já tomara sua decisão, sendo inútil para ele participar do debate.

Diferentemente do que acontece nos filmes, contudo, os Ents já sabem das maldades que Saruman vem cometido em suas florestas, e decidem atacá-lo de imediato. Começa a Última Marcha dos Ents, e não temos mais notícias deles até que os heróis apareçam em Isengard.

5. O Cavaleiro Branco

Tal como nos filmes, Aragorn, Legolas e Gimli avançam adentro da floresta de Fangorn no encalço de seus dois amigos capturados e é lá que eles encontram Gandalf, retornado da morte. O reencontro, com machados se partindo, flechas desviadas e espadas queimando, é praticamente idêntico. Os amigos trocam diversas novas antes de mudarem o rumo de sua jornada.

Gandalf sabe através de Gwaihir, a águia, Senhor-dos-Ventos, que Frodo e Sam estão vivos e a caminho de Mordor, e que Merry e Pippin encontraram o Barbárvore, embora, no livro, ele não os tenha visto. Ele então conta a história do confronto com o Balrog, sua morte e seu retorno, e de como retornou como Gandalf, o Branco, ou, como é dito tanto no livro quanto nos filmes, O que Saruman deveria ter sido.

No livro seu relato vai além e ele conta como retornara a Lothlórien e lá passou dias se curando. Ele agora traz mensagens aos amigos, de Galadriel, que prenuncia o encontro de Aragorn com os mortos e a atenção que eles devem dar às forças que vem pelo mar, na batalha contra Sauron.

Mas tais enigmas ficam para depois, já que agora eles devem partir para Rohan. Gandalf lhes apresenta Scadufax, o Senhor-dos-Cavalos, e lhes retorna suas montarias. Antes de partirem, porém, na versão estendida Gandalf preconiza a ascensão dos Ents e também trava um diálogo com Aragorn que resume alguns fatos explicados nos livros: que Sauron não conta que seus inimigos ousariam ir até Mordor para destruir o Anel, ainda mais nas mãos de um hobbit, e que Frodo está com Sam, cada dia mais perto da Montanha da Perdição.

6. O Rei do Paço Dourado

Os três amigos acompanham Gandalf até Édoras, onde são obrigados a entregar suas armas para entrar no paço. No livro, contudo, é Aragorn quem convence os guardas a deixar Gandalf com seu cajado. Não há, contudo, a famosa cena “Você não tem poder aqui”, e a libertação de Théoden nos livros é um tanto mais tediosa do que mostrado nos filmes, limitando-se apenas a Gandalf erguendo seu cajado para quebrar o feitiço.

Também não há cena de Théoden chorando a morte do filho, que na versão estendida ganha um funeral. Há semelhanças, porém. As frases Respira o ar livre outra vez, Seus dedos se lembrariam melhor de sua força se segurassem sua espada e Teus feitiços teriam me feito rastejar como um animal são ditas após a cura do Rei.

A Grima, é dada uma escolha: cavalgar rumo à guerra para provar sua lealdade, ou ser expulso. No filme, é Aragorn quem detém a mão do Rei para não matá-lo, mas o resultado é o mesmo: o vilão sai correndo para debaixo da asa de Saruman. No livro, mais à frente, ele ainda seria visto esgueirando-se pelas águas que inundaram Isengard e Barbárvore lhe daria uma escolha parecida.

Como recompensa por ter lhe ajudado, o Rei dá Scadufax a Gandalf, que antes estava apenas “emprestado”. Conselhos são dados e o Rei é posto a par da situação. Preparativos são feitos para a guerra.

7. O Abismo de Helm

No livro, não chega a haver debate algum sobre enfrentar o inimigo em Édoras. Imediatamente o Rei ordena a fuga para o Abismo de Helm, todos cavalgam juntos para lá, inclusive Éomer que, vale recordar, no filme estava expulso do reino e Gandalf parte em seu encalço. Aqui Gandalf também se separa da Comitiva, mas para ir até Isengard para, o que fica claro depois, ter com o Barbárvore e combinar com ele algumas coisas.

Não há, portanto, todo um arco que acontece nos filmes, ou seja, o ataque dos Orques e a separação de Aragorn do grupo ao cair num abismo, carregado por um warg. É apenas natural que a inclusão de tal sequência tenha sido feita na adaptação, visto que é preciso ter cenas de ação vez ou outra, para não deixar a plateia cair no tédio, embora ela não faça grande diferença, já que Aragorn retorna pouco depois, com a notícia de que o exército de Saruman está vindo.

Também vale reforçar que não fica claro o romance de Aragorn com Arwen nestes dois primeiros livros, de forma que os flashbacks entre os dois mostrados nos filmes não acontecem aqui. A “quedinha” que Éowyn tem por ele também fica subentendida num primeiro momento. Na versão estendida há um diálogo entre eles, no qual ela insiste em ficar, mas Aragorn não permite. Tal diálogo, nos livros, é travado mais adiante, quando ela tenta convencê-lo a não ir à Senda dos Mortos, ou deixar que ela vá junto. A resposta, no caso, é a mesma, embora ela lhe abra o coração.

É neste capítulo que a batalha é travada, embora seja lutada apenas por homens. Os elfos não aparecem para ajudar aqui, como é mostrado nos filmes. Na verdade, com relação à batalha, é mais fácil falar das semelhanças do que das diferenças.

Eles lutam à noite e debaixo de chuva, e Legolas e Gimli fazem da contagem de corpos um esporte. Mas, uma vez que Éomer está junto a eles, acaba lutando lado a lado com Aragorn. Também há o uso de pólvora, que eles chamam de “fogo explosivo de Orthanc” (Orthanc é o nome da torre de Saruman em Isengard), com a qual os Orques tomam a muralha, muito embora nada é dito sobre a fortaleza possuir o ponto fraco que é descrito nos filmes. E, claro, também há uso dos aríetes com os quais eles conseguem transpassar os portões.

Como no livro os elfos não estão presentes, não presenciamos a triste morte de Haldir nesse capítulo. E por falar em elfos, a destreza de Legolas é muito melhor apreciada na tela do que nas linhas do livro, sem dúvida. Não obstante, os Orques invadem o castelo e os homens são obrigados a recuar.

A ideia de cavalgar de encontro ao inimigo, porém, parte de Théoden, e não de Aragorn, como nos filmes. A trompa de Helm soa uma última vez e eles partem, rumo ao amanhecer. Gandalf também está lá, como que trazendo a aurora. A diferença, claro, é que não está acompanhado de Éomer, e sim de Erkenbrand, senhor de Westfolde, e mais de mil homens.

Esse foi outro grande acerto dos filmes de Jackson e pode-se imaginar o porquê da mudança. O livro tem personagens demais e não havia tempo de apresentar Erkenbrand ou explicar de forma satisfatória as regiões de Rohan. Assim, acrescentar o arco de Éomer sendo expulso e retornando de forma triunfante não só traz uma novidade à trama, para quem já conhecia o livro, como também brinda o espectador com uma das cenas mais emblemáticas de toda a trilogia.

Adicionalmente, acompanhar a vitória de Rohan ao mesmo tempo em que vemos os Ents tomarem Isengard também foi uma estratégia mais do que certeira, trazendo uma conclusão triunfal para o segundo filme. E apesar da versão cinematográfica terminar aqui, o livro ainda traz outros acontecimentos.

8. A Estrada para Isengard
9. Destroços e Arrojos

Após a vitória, Gandalf convence o Rei Théoden e companhia a irem até Isengard para negociarem a rendição de Saruman. É dito que os Orques sobreviventes da batalha fugiram para Fangorn, onde acabariam detidos pelos Ents. No filme, antes de iniciarem a última marcha, Barbárvore comenta que algumas árvores se “ocuparão dos Orques”, o que faz alusão a esses acontecimentos. Não apenas isso, mas nesta versão realmente vemos o destino destes Orques após o fim da batalha.

O capítulo 8 narra então essa travessia pela floresta, o encontro com alguns pastores-de-árvores e mais algumas coisas, até eles chegarem a Isengard e encontrarem, pasmos, tudo em ruínas, sob vigilância de Merry e Pippin. A versão estendida de As Duas Torres mostra a cena em que os dois descobrem a despensa de Saruman, tal como descrito no livro.

Há um breve diálogo no reencontro entre os amigos, mais ou menos como mostrado no início de O Retorno do Rei, e então eles se separam. Gandalf e o Rei vão ter com Saruman, enquanto os demais ficam trocando histórias ao longo do capítulo 9. Lembre-se que Aragorn, Legolas e Gimli não haviam visto Merry e Pippin desde a separação da Comitiva, e ambos os lados estavam ansiosos em ouvir o que se passara com cada um deles. Também é aqui que os hobbits contam como foi que os Ents tomaram Isengard.

10. A Voz de Saruman

Aqui está uma das principais diferenças entre as três diferentes versões de que estamos falando. No livro, há extenso diálogo entre Saruman e os heróis, no qual Gandalf ainda lhe dá oportunidade de se redimir, o qual este recusa e Gandalf lhe quebra o cajado. Sem alternativa, Saruman e Grima ficam presos na torre, sob vigilância dos Ents. Irritado, Grima pega o primeiro objeto que encontra e joga contra os heróis, sem saber que, inadvertidamente, acabaria lhes dando a palantír.

Na versão original de O Retorno do Rei, vemos apenas o reencontro dos amigos e é comentado que Barbárvore agora é o senhor de Isengard, mas não mais o vemos, assim como Grima ou Saruman, durante todo o restante do último filme, ou seja, o destino de ambos os vilões fica subentendido. Isso poderia ser apontado como uma falha dos filmes, visto que não sabemos se eles continuaram presos ou foram mortos, mas tal fato é corrigido na versão estendida.

Nela, além de vermos o diálogo entre os heróis e o mago e a quebra do cajado de Saruman, também presenciamos o destino final de Saruman, sendo esfaqueado por Grima pelas costas e caindo para a morte. Seu assassino, por sua vez, é detido por uma flecha de Legolas.

Aqui cabe um aparte para falar da genialidade de Christopher Lee, falecido em 2015. Além de ser um dos maiores atores de seu tempo e representar Saruman de forma soberba, o ator havia sido espião na época da Guerra Fria. Seu conhecimento sobre armas era tal que, nos bastidores da cena de sua morte, foi ele quem disse ao diretor qual seria o som correto para sair de sua boca quando esfaqueado. “Quando você é esfaqueado pelas costas, a faca atinge o pulmão, tirando do órgão todo o ar, ou seja, você faz um som oco, para dentro”, foram mais ou menos suas palavras.

11. A Palantír

Na versão estendida de O Retorno do Rei, presenciamos mais cenas das festividades pós-vitória, incluindo uma divertida competição de bebida entre Gimli e Legolas. Nada disso é mostrado no livro. Do contrário, eles imediatamente cavalgam de volta a Rohan e, assim como no filme, Pippin aproveita o momento em que todos estão dormindo para satisfazer sua curiosidade sobre a palantír e acaba sendo “mentalmente atacado” por Sauron.

No filme Gandalf debate com os demais após o atrevimento de Pippin, mas o perdoa. Um tolo, mas um tolo sincero, são suas palavras. E ele comenta sobre como foram estranhamente afortunados, já que Pippin vira de relance os planos do inimigo e ele agora cavalgará até Minas Tirith para avisá-los da guerra iminente. No livro, essa conclusão não é tão direta.

Eles comentam sobre a comunicação entre Sauron e Saruman ser finalmente esclarecida e Gandalf deduz que ele agora sabe do retorno de Aragorn. O que fará com essa informação parece ser óbvio: atacar Gondor. E mesmo na dúvida, decide cavalgar até lá, igualmente levando Pippin consigo. Antes de partir, contudo, ele deixa a palantír sob guarda de Aragorn, já que, sendo descendente dos Dunandán de Númenor, é nada menos que seu direito.

Nos filmes pode parecer redundante a forma como eles ficaram sabendo do ataque de Sauron, já que há uma cena na qual Faramir fala com seus homens e explica os planos do Inimigo olhando no mapa: Saruman ataca Rohan enquanto Sauron marcha para tomar Gondor. Contudo, há que se lembrar que Faramir não tem qualquer meio de comunicação com Gandalf ou qualquer um da Comitiva, de forma que eles só se encontram quando este regressa a Gondor, no terceiro filme.

Gandalf então parte com Pippin para Gondor. No trajeto, ele lhe conta a história das palantír, as pedras-videntes de Númenor, bem como outros fatos curiosos sobre a Terra-média. E assim termina o terceiro livro, com eles sendo levados por Scadufax em grande velocidade para levar ao reino dos homens as notícias da guerra vindoura.

LIVRO IV

1. A Doma de Sméagol
2. A Travessia dos Pântanos
3. O Portão Negro está Fechado

Todo o arco de Sam e Frodo se dá de forma praticamente idêntica ao narrado no livro, embora, obviamente, este último traga bem mais detalhes. Antes de encontrarem Gollum, os dois aventuram-se pelas montanhas de Emyn Muil e usam a corda élfica para descer por um abismo. Surpreendem-se quando ela desata-se sozinha de onde estava amarrada e retorna às mãos de seu dono, o que é mostrado logo no começo da versão estendida de As Duas Torres.

Também o fato do Anel estar ficando mais pesado para Frodo é um fato sempre lembrado, e há diversas outras semelhanças, inclusive nas falas. Mordor, o único lugar da Terra-Média que não queremos ver mais de perto, justamente o lugar onde estamos tentando alcançar.

O encontro com Gollum também se dá de forma bastante parecida, no qual eles conseguem dominá-lo e amarrá-lo com a corda élfica num primeiro momento, mas a criatura reclama que o objeto lhe faz mal. Frodo lembra-se das palavras de Gandalf e, com pena dele, o faz jurar que irá servir o Portador do Anel. Ele jura “pelo precioso”, sabendo que o Anel é traiçoeiro e o obrigará a manter sua palavra.

O gollum, gollum, também sempre está presente nas falas de Sméagol e a interpretação sonora dessa “engasgada”, mostrada nos filmes, parece ser condizente com a descrição dos livros. Na versão estendida há um pouco mais disso, enquanto ele fala sozinho ao mesmo tempo em que começa a conduzi-los ao Portão Negro. Também nela temos uma cena, tal como no livro, em que os hobbits tentam dar lembas a Sméagol, mas este vomita a comida, reclamando que o pão élfico tenta sufocá-lo.

Há uma diferença sutil nos filmes com relação a Sam e Gollum. Nos filmes ele é um pouco mais cruel com a criatura, o que faz sentido: essa crueldade vai sendo pouco a pouco construída e dá origem a uma diferença crucial mais à frente, quando eles sobem as escadarias de Cirith Ungol. Nos livros, Sam também nomeia as duas personalidades de Gollum como “Fugido e Fedido”, após presenciar o monólogo que ele trava consigo sobre servir o mestre ou trai-lo.

Eles iniciam a travessia dos Pântanos Mortos, que no livro, dura dias. Gollum explica mais ou menos a origem dos cadáveres nas águas, que vieram de uma batalha há muito tempo atrás. Não há, contudo, a queda de Frodo, atraído pelas “luzes”, e o consequente salvamento por Gollum, embora ele fique para trás em certo momento. Outra diferença incluída, com certeza, para construir o supracitado arco sobre a rivalidade entre Sam e Gollum.

Tal como no filme, em certo ponto eles escondem-se do vulto alado que passa voando pelos pântanos, e então avançam até o portão. E da mesma maneira, presenciam um exército passando através dele, mas embora não haja a cena em que Sam fica preso e Frodo tem de ir ao seu resgate, ambos tem de se esconder para não serem vistos. E igualmente ao mostrado no filme, Sméagol os detém, para que não avancem, sob pena de levar o precioso até Ele.

Há discussão do porquê de Gollum não ter dito antes que havia outro caminho, ao que ele responde Mestre não perguntou, Mestre diz que precisa ir a Portão Negro, Sméagol obedece, Sméagol bonzinho. Ele explica então o caminho que irão trilhar, passando por Minas Morgul (outrora chamada de Minas Ithil, quando dominada pelos homens de Gondor), as escadarias e um túnel que atravessa as montanhas. Eles não gostam nem um pouco de como a trilha soa, e parece bastante óbvio que Gollum está escondendo algo, mas parece não haver outra opção, e eles concordam.


4. De Ervas e Coelho Ensopado
5. A Janela para o Oeste
6. A Lagoa Proibida

O “diálogo” entre Gollum e Sméagol mostrado no filme é uma adição, embora baseada em outros “diálogos” que ele trava consigo mesmo ao longo do livro. Essa cena, além da genial performance do ator Andy Serkis, mostra de forma clara o conflito entre suas duas personalidades e a vontade clara de Sméagol de dominar, chegando a “expulsar” sua contraparte, o que não acontece no livro.

Sméagol consegue capturar um par de coelhos para variar um pouco a dieta dos hobbits e a cena em que Sam os cozinha, bem como seus diálogos, é contada de forma idêntica. Até o Tatas? O que são tatas, precioso? está lá. Logo em seguida há o encontro com os mercenários cavalgando Olifantes e o confronto com os homens de Gordor, quando se dá o encontro com Faramir. Mas as semelhanças param por aí. Se nos filmes Sméagol percebe a aproximação de inimigos e se manda, no livro ele sai para caçar, revoltado com o que Sam fez com os coelhos.

No livro, Sam vê um cadáver dos inimigos e se pergunta sobre seu nome, sua missão, e de onde viera. Indagações estas feitas por Faramir numa cena da versão estendida. E, enquanto no filme Faramir quer arrancar a história dos hobbits a todo custo e quando descobre sobre o Anel, quer levá-lo a Gondor, no livro ele se revela um bom anfitrião, lhes dando abrigo e de comer, após passarem vendados por uma passagem secreta através da floresta rumo ao sul. Embora isso seja mostrado na tela, lá fica a impressão de que eles foram feitos prisioneiros, enquanto que nas linhas fica claro que Frodo e Sam concordaram em usar as vendas de bom grado.

Faramir fica encantado com as histórias dos hobbits e Frodo procura enaltecer a valentia de Boromir sempre que pode. Mas em certo momento, Sam vacila e acaba falando do Anel e da missão. Contudo, Faramir lhes promete não tentar tomá-lo.

O livro também deixa mais claro como que os homens de Gondor ficaram sabendo da morte de Boromir: eles encontraram o barco fúnebre com seu corpo, surpreendentemente intacto mesmo após passar pelas cataratas do rio. E também encontraram sua trompa partida em duas, o que é mostrado de forma bastante rápida na versão estendida, bem como um flashback de uma batalha em que os dois irmãos travaram juntos, para retomar Osgiliath.

O flashback também mostra Denethor e seu apreço por Boromir, em detrimento de seu irmão, além de mostrar o último diálogo que pai e filho tiveram: Denethor lhe ordena a ir ao Conselho de Elrond e, se possível, trazer o Anel a Gondor, o que explica as ações de Boromir no primeiro filme.

Logo em seguida, os homens encontram Gollum, caçando peixes na lagoa proibida e, tal como nos filmes, Faramir desperta Frodo de seu sono para mostrar a criatura. Os acontecimentos seguintes são praticamente os mesmos nas duas versões: Frodo pede para que ele o deixe conversar com Gollum, embora saiba que seria difícil convencê-lo de que o traiu para salvar sua própria vida.

Após conversar novamente com os três, Faramir entende a missão e os deixa ir. Não há, portanto, o desvio mostrado no filme, até Osgiliath, no qual Frodo fica cara a cara com o Nazgul alado. Também não há o novo monólogo de Sméagol, no qual Faramir presencia o “retorno” de Gollum.

Após o escape das garras do Nazgul, contudo, o filme traz uma fala poética de Sam, no qual ele fala das grandes histórias, aquelas que realmente importam. Mais à frente, essa fala continua no diálogo com Frodo, o qual este mesmo fiz Você está se esquecendo de um dos personagens principais: Samwise, o Bravo. Frodo não teria ido longe sem Sam. Toda essa conversa, no livro, se dá nas escadarias de Cirith Ungol, mas essa alteração se mostrou bem mais interessante.

Na primeira parte, ficou ainda mais poético, pois enquanto Sam fala, vemos a vitória de Rohan e a derrocada de Isengard pelos Ents. E na segunda, dá um gancho interessante para o terceiro e último filme, já que, como sabemos, suas palavras se tornam realidade. Não fosse por Sam, Frodo realmente não teria ido longe.

Apesar das diferenças de narrativa, o resultado é o mesmo: Faramir amaldiçoa Sméagol se este fizer mal aos hobbits (cena também mostrada na versão estendida), e os três retomam a estrada. Assim vemos eles no final de As Duas Torres, ou seja, exatamente igual ao final de A Sociedade do Anel: com Frodo partindo rumo às terras sombrias de Mordor.


7. Jornada para a Encruzilhada
8. As Escadarias de Cirith Ungol

Aqui já entramos nos domínios do terceiro filme da trilogia, O Retorno do Rei. É compreensível o porquê de Jackson optar por essa mudança, visto que já era consumado o fato dele não ter intenção alguma de filmar o capítulo O Expurgo do Condado. Assim, sobraria pouca coisa para contar sobre Frodo e Sam neste último filme caso ele tivesse decidido manter os acontecimentos do livro sob o mesmo título. Optou, portanto, por melhor trabalhar os arcos dos demais personagens e a batalha do Abismo de Helm, movendo os acontecimentos destes últimos quatro capítulos para o terceiro filme, que começa, lembremos, mostrando o passado de Sméagol e sua lenta transformação em Gollum. Mais uma decisão acertada, já que trabalha melhor um personagem que é tão crucial para os momentos finais da demanda de Frodo.

Voltando ao presente, eles então pegam a estrada para Minas Morgul, e Sam percebe que o patrão mal dorme. Frodo comenta que os dias estão ficando mais escuros e eles seguem em frente, passando por estátuas antigas de reis de um tempo longínquo. O corpo de uma delas teve a cabeça decepada e fora colocada uma pedra com elmo de Orque no lugar. A cabeça jaz no chão, com uma coroa de plantas e flores ao seu redor e, quando o sol bate, dá a impressão de que o Rei voltou a ter uma coroa de verdade. Tal cena pode ser vista na versão estendida.

Eles finalmente chegam na cidade do Rei Bruxo. Nesse momento a cena do filme e do livro são idênticas, ou seja, Frodo é estranhamente atraído para aquele local horrendo, sendo detido por Sam e Gollum. Eles então seguem pela trilha e no livro é comentado que seus olhos refletem uma luz branco-esverdeada vinda da torre. Nada tão dramático quanto o que vemos no filme, com uma rajada de luz verde alçando o céu e que pode ser vista de Gondor. A cena acaba fazendo uma ligação inteligente com o que está acontecendo com os demais personagens, pois é nesse exato momento que Gandalf e Pippin estavam conversando na sacada que dava vista para Mordor.

No livro, primeiramente é dito que eles veem um clarão vermelho vindo das montanhas a leste e, como que em resposta, Minas Morgul lança um clarão de raios e forquilhas de chama azul. E assim como no filme, vem o grito do Nazgul, o chão tremendo e o exército irrompendo dos portões. Eles então esperam os inimigos passarem para iniciarem a escalada das escadarias de Cirith Ungol.

Eles passam a primeira parte, que é mais íngreme, quando descansam um pouco. É nesses momentos que Gollum parece sumir por um tempo e, embora não haja a cena em que ele trama contra Sam, usando de migalhas de lembas e jogando-as fora, o diálogo que os dois traçam é o mesmo, com Sam acusando-o de estar tramando algo e Gollum sendo sarcástico.

E aqui se dá a principal diferença entre filme e livro com relação aos três: toda a rivalidade entre Sam e Gollum desenvolvida ao longo de As Duas Torres culmina aqui, na separação de Sam e Frodo. Isso não acontece no livro, de maneira que eles atravessam juntos o túnel que leva à escuridão.

9. A Toca de Laracna
10. As Escolhas do Mestre Samwise

Os dois então caem juntos na armadilha de Gollum. O livro deixa ainda mais claro a relação deste com Laracna, a última filha de Ungoliant, um mal que assolava o mundo nos Dias Antigos. Gollum a admirava e lhe trazia alimento sempre que podia.

Na escuridão, Frodo e Sam não compreenderam num primeiro momento a forma de sua inimiga, já que viam apenas seus olhos e uniram esforços para abrir caminho ante os túneis repletos de teias. Mais à frente, contudo, Gollum ataca Sam para que Laracna desfrute de sua presa em paz. É Sam quem afugenta Gollum de lá e não Frodo quem acaba jogando-o abismo abaixo, como no filme.

Mas quando finalmente volta-se para a criatura aracnídea, encontra Frodo já inconsciente. Ele luta sozinho contra ela e consegue feri-la, mas apesar dela fugir, nada mais é dito sobre seu destino, de forma que não sabemos se o ferimento foi mortal ou não.

Sam então consegue voltar-se para o mestre, mas deduz que está morto. Em seu luto, ele chora e pensa no que fazer: desistir da demanda ou ir em frente. Como sabemos, ele pega o anel para si para evitar que caia nas mãos do Inimigo. Dois grupos de Orques surgem em seguida e quase o encurralam. Sam só escapa porque decide usar o Anel e ficar invisível.

Desta forma, ele consegue ouvir, incógnito, o longo diálogo entre os Orques, no qual um deles explica que Frodo não está morto. Contudo, eles acabam levando-o para ser despojado e Sam os segue até os portões da torre de Cirith Ungol.

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