Na última parte de nossa análise, chegamos em O Retorno do Rei, O Expurgo do Condado, os epílogos e tudo mais.

LIVRO V

1. Minas Tirith

Gandalf e Pippin, conduzidos por Scadufax, se aproximam da Cidade Branca, ao mesmo tempo em que veem, nas montanhas, os faróis sendo acesos como sinal de socorro à guerra que se anuncia. Sim, diferentemente do filme, em que há todo um ardil dos dois heróis para acender o primeiro farol em Gondor, contradizendo as ordens do Regente e de maneira a convencer Théoden a ajudar, aqui os faróis já estão acesos desde muito antes.

Como sempre, há extensa descrição sobre Minas Tirith e a maneira como fora construída, seus sete níveis, e assim por diante, enquanto os dois avançam até o grande salão onde Denethor aguarda, tal como no filme, segurando a trombeta partida de Boromir. E como no filme, trava-se um diálogo entre os três, embora, claro, no livro ele seja muito mais longo. Pippin também oferece seus serviços ao Regente, como forma de compensar a morte de Boromir e os três passam a noite trocando histórias durante o jantar, embora Gandalf encare Pippin vez ou outra para que ele tome cuidado com as palavras e não entregue a missão de Frodo.

Mal sabiam eles que, a essa altura, Denethor já sabia tudo sobre Frodo e o Anel. Mas isso só é revelado mais adiante. No dia seguinte, Pippin assume suas novas responsabilidades e é acompanhado por Beregond, Guarda da Cidade, que lhe mostra os arredores – detalhes que Gandalf explica a ele de relance na versão estendida – e lhe fala sobre seus afazeres. Tal personagem é importante mais à frente e também conhecemos seu filho, Bergil. Beregond e Pippin trocam longos diálogos sobre os costumes e histórias de suas terras.

Cabe lembrar, uma vez mais, o romance entre Aragorn e Arwen não é relatado em grandes detalhes aqui, então no livro não existe a sequência em que a elfa estava de partida e tem a visão do filho que teria com seu amado. Também não há a cena da reforja da espada, visto que esta foi entregue a Aragorn no Livro II, como já foi fito na parte 1 dessa série de posts.

2. A Passagem da Companhia Cinzenta

A Comitiva de Théoden, que ficara para trás, também inicia sua marcha, e eles não tardam a encontrar outros caminheiros como Passolargo, atraídos pelos rumores do retorno do herdeiro de Isildur. Em certo ponto, Gandalf explica que os caminheiros que vez ou outra o povo de Bri avistava pelas estradas eram na verdade herdeiros dos Dúnadan, ou seja, a primeira e mais nobre linhagem dos homens, da qual Aragorn fazia parte.

Seu líder é Halbarad e eles se chamam de Companhia Cinzenta, acabando por juntar-se à Comitiva de Théoden Rei. Porém, sabendo que Sauron prepara seus exércitos, Aragorn tem a súbita decisão de mostrar-se a ele através da palantír recuperada de Orthanc. Sauron sabe que ele é Elessar, herdeiro de Isidur, aquele que fora a causa de sua ruína, e o teme. Aragorn o fizera de caso pensado, para pressionar o Inimigo e levá-lo a vacilar. Apenas não esperava que sua resposta fosse tão rápida, pois como sabemos, suas tropas logo estariam saindo de Minas Morgul.

Mas Aragorn acabou vendo algo mais na pedra. Viu o ataque dos corsários vindo do sul e, sabendo que este poderia ser a ruína final da Cidade Branca, acaba optando por separar-se da Comitiva. Ele sabia, no entanto, que o caminho mais direto até o sul seria cortar pelas montanhas, através da passagem que acabaria ficando conhecida por Sendas dos Mortos. Recorda-se, portanto, das palavras de Galadriel e da antiga lenda dos mortos que lá vivem. Diferente do filme, onde Elrond é quem lhe lembra do antigo juramento.

Trata-se de um povo que havia sido convocado para batalhar contra Sauron pelo antigo rei de Gondor, mas acabaram acovardando-se e por ele acabaram amaldiçoados, até que cumprissem sua palavra, mais ou menos como dito nos filmes. Aragorn decide então procurá-los, sendo acompanhado por Legolas, Gimli e toda a Companhia Cinzenta. No caminho, eles reencontram Éowyn, quando se dá o diálogo entre ela e Aragorn mencionado na parte anterior, que no filme é mostrado durante a batalha do Abismo de Helm.

A fala de Gimli antes de adentrar à montanha sombria é tal como no filme: Eis uma coisa inaldita! Um Elfo que entra em um subterrâneo e um anão que não se atreve! E com essas palavras eles adentram na escuridão e iniciam a passagem sob a montanha. Aragorn convoca os mortos e eles passam a segui-los até o outro lado. Somente então Aragorn explica o motivo da convocação e eles então avançam juntos até Calembel, na margem do rio Ciril.

Ou seja, é diferente do filme, quando o diálogo é travado ainda sob a montanha. E na versão estendida, há ainda uma surpresa: antes de receberem a resposta do Rei dos Mortos, os três amigos são agraciados com uma chuva de caveiras, que os obriga a sair da caverna, apenas para dar de encontro às naus dos corsários.


3. A Convocação de Rohan

Théoden e companhia chegam ao forte do Fano-da-Colina, onde vem um mensageiro de Gondor carregando uma flecha vermelha. Este era um antigo símbolo entre os reinos, um chamado de ajuda. Não muito depois de sua chegada, uma enorme nuvem negra vinda de Mordor se estende por todo o reino, prenunciando a chegada da guerra. Esta também pode ser vista na versão estendida.

Éowyn se junta à companhia e, tal como no filme, veste Merry com equipamentos apropriados para a batalha. Contudo, no dia seguinte, quando todos partem para o destino final e Théoden ordena que Merry fique para trás, não é ela quem o leva consigo, mas um cavaleiro chamado Dernhelm.


4. O Cerco de Gondor

Em Gondor, Pippin apresenta-se ao Regente e, tal como no filme, este lhe pergunta se sabe cantar. O diálogo entre os dois é praticamente igual, embora Denethor dispense que ele cante naquele momento. É neste ponto, e não antes, como mostrado no filme, que Faramir retorna, embora a sequência seja a mesma: ele vem fugido de Osgiliath (mas a batalha travada lá não é descrita no livro, diferente do mostrado no filme) enquanto ele e seus companheiros são caçados pelos Nazgul e salvos por Gandalf.

Faramir é aclamado por todos, exceto pelo pai. Também o diálogo entre os dois é bastante parecido, embora seja diante dele que o irmão de Boromir dá as novas a Gandalf e Pippin sobre o encontro com Frodo. Repreendido pelo pai, que agora não esconde o conhecimento do Um Anel (o que é mostrado rapidamente na versão estendida, em mais uma cena que chega a dar pena de Faramir), ele indaga, assim como no filme, se Denethor desejava que eles tivessem tido trocado de lugares, o que é confirmado pelo pai.

A ordem para fortalecer a guarnição de Osgiliath, no entanto, só vem no dia seguinte, mas o diálogo entre pai e filho é igual. Se eu retornar, pai, peço que faças melhor juízo de mim. E com estas palavras ele e e sua companhia partem para morte quase certa.

Neste ponto a genialidade de Jackson se apresenta uma vez mais. Pois no livro, o tempo todo vemos personagens declamando canções que pouco ou nada acrescentam à narrativa. No único momento do livro em que uma canção é sugerida, mas logo em seguida recusada, Jackson faz uma inversão de maneira soberba: deixa Pippin cantar uma canção que não está no livro, enquanto Denethor se esbanja em sua própria soberba e gula, enquanto seu filho e companheiros cavalgam para a morte. Sem dúvida, mais uma cena marcante em toda a trilogia.

Faramir então retorna, aparentemente ferido de forma fatal, e arrancando qualquer esperança de Denethor, se é que havia alguma. Ele não sabia, então, que seu mensageiro havia sido abatido no caminho de volta, com a flecha vermelha em mãos, e concluíra erroneamente que Rohan não iria vir em seu auxílio. Não há, todavia, a cena em que ele contempla as hordas inimigas, muito embora, nesse ponto, Gondor já esteja sitiada.

Aqui, há grandes semelhanças entre as diferentes versões. Os Orques possuem grandes máquinas lançadoras de projéteis, que num primeiro momento usam para lançar as cabeças dos homens mortos em Osgiliath, apenas para alçar o terror nos corações dos homens. Há o aríete enorme em forma de lobo, chamado aqui de Ground (que na versão estendida é ovacionado pelos Orques e ganha alguns segundos a mais na tela), bem como os Olifantes dos Harad, também chamados mûmakil. Não há, contudo, o Capitão deformado que aparece em várias cenas do filme.

Os Orques cavam grandes trincheiras nas quais ateiam fogo e, enquanto a batalha começa, Denethor igualmente enlouquece e ordena os serviçais que carreguem seu filho até as tumbas, onde planeja queimar com ele até a morte. Ele liberta Pippin de seu serviço, dizendo Vá agora e morre do modo que melhor lhe parecer.

Pippin apressa-se em pedir auxílio de Gandalf enquanto que este, neste momento, está encarando o Rei Bruxo, líder dos Nazgul, diante dos portões de Gondor. Antes que os dois duelem, contudo, soam as trombetas. Os Rohirrim estão chegando.


5. A Cavalgada dos Rohirrim
6. A Batalha dos Campos de Pelennor
7. A Pira de Denethor

Estes três capítulos narram acontecimentos que se dão mais ou menos de forma paralela. O capítulo 5, na verdade, dá um passo atrás e mostra o ponto de vista da comitiva de Théoden, que conversa com o líder do Povo Selvagem e este os auxilia a encontrar caminhos mais ágeis pela mata. O capítulo todo descreve a trajetória deles pela floresta, até chegar no campo de batalha. Não há, contudo – pelo menos não nesse momento – o discurso de Théoden e o grito de “Morte!” enquanto eles avançam na direção do inimigo.

Já o capítulo 6 começa com um anti-clímax, já que o Rei Bruxo deixa Gandalf para trás, enquanto este vai em auxílio de Pippin para ajudar a salvar Faramir. O que é compensado, de leve, na versão estendida, na qual o vilão ainda consegue quebrar o cajado de Gandalf (ou você não tinha percebido que depois da batalha, no filme original, o mago não aparece mais com o cajado?) e decide recuar apenas quando ouve as trombetas dos Rohirrim. Tal como no filme, Théoden é atacado por ele e tomba. É salvo, então, por Dernhelm, que tira o elmo e se revela como sendo uma mulher, ou seja – sim, era Éowyn o tempo todo.

Todo o restante se dá de forma idêntica: ela decepa a criatura alada que é montaria do vilão, seu escudo é estilhaçado e quebra seu braço e Merry dá um golpe na perna dele para tentar ajudá-la, mas tem o braço ferido no processo. Ela então desfere o golpe final que derrota o vilão por fim, mas tomba logo em seguida, de forma que Éomer, quando a vê, a toma por morta (de maneira que na versão estendida há uma cena parecida). As últimas palavras do Rei, embora quase idênticas, são ditas a Éomer e não a ela.

Na versão estendida há mais destaque para Éowyn e Merry antes do confronto com o Rei Bruxo. Eles abatem vários Orques e é ela quem também primeiro enfrenta o Capitão inimigo, embora no fim acabe sendo auxiliada por Aragorn. Também não há, no livro, a fala de Gandalf explicando a Pippin que nossa jornada não acaba na morte.

Na sequência, chegam as naus dos corsários, o que num primeiro momento acaba levando os homens ao desespero. É nesse ponto que Éomer grita para seu exército avançar, gritando “Morte!”, ou seja, a versão do filme acabou ficando mais emblemática. Os Orques gritam em euforia e avançam, mas logo que eles veem quem salta dos barcos, o jogo vira. Pois é Aragorn, Gimli e Legolas, não com um exército de mortos, como no filme, mas com um exército de homens livres, convocados para ajudar a proteger a Cidade Branca.

Contudo, quase não há descrições sobre Legolas, Gimli ou os Olifantes (exceto a destruição causada por eles), de maneira que esta parte da batalha, no livro, é bastante abreviada. Tampouco há a retomada da disputa do elfo e do anão na contagem de corpos e nada é falado sobre como os Olifantes são derrotados. Aragorn e Éomer se reencontram uma vez mais nos campos de batalha e rumam para a vitória.

O capítulo 7 então descreve o que se passa no interior da cidadela, enquanto a batalha se desenrola. Toda a sequência de Gandalf e Pippin tentando impedir Denethor de matar a si mesmo e ao filho se dá de maneira bastante parecida, exceto que eles tem aqui a ajuda de Beregond e Denethor queima até a morte no interior das tumbas, ao invés de se jogar em chamas através do abismo.

Após sua morte, eles encontram outra palantir sob sua guarda, deixando claro, ao menos para Gandalf, o motivo de sua loucura: Apesar das pedras-videntes não mentirem, Sauron mostrava a Denethor o suficiente para quebrar sua mente e levá-lo ao desespero, revelando, desta forma, mais um estratagema do Senhor Escuro.


8. As Casas de Cura
9. O Último Debate

O capítulo 8 mostra Aragorn nas casas de cura, auxiliando os enfermos (o que é visto de relance na versão estendida, incluindo uma cena em que Éowyn e Faramir aparentemente se apaixonam, o que é confirmado mais à frente, quando eles assistem juntos, de mãos dadas, à partida dos exércitos para o Portão Negro), e alguns reencontros. Éomer fica aliviado ao descobrir que sua irmã ainda vive, enquanto Merry e Pippin também ficam felizes ao verem um ao outro bem, ainda que não exatamente inteiros. Faramir também se recupera e, embora Aragorn ainda não reclame seu título e prefira ficar nas tendas do lado de fora da cidade, todos reconhecem que o Rei, de fato, retornou.

Em seguida, Legolas e Gimli vão ter com os Hobbits, contando suas epopeias através das terras do sul junto ao exército de mortos. Foram graças a eles que conseguiram derrotar os inimigos de Umbar e Harad, fiéis a Sauron, e reunir o povo de Lamedon sob seu comando. Eles então tomaram os navios do inimigo e libertaram vários homens que haviam sido feitos de escravos. É nesse momento, e não após a batalha, como mostrado no filme, que Aragorn considera o juramento deles cumprido e os liberta. É claro que a versão do filme acabou ficando muito mais dramática. A versão estendida traz ainda a cena irônica em que eles tomam os navios dos corsários, na qual Gimli deliberadamente faz Legolas matar um deles quando Aragorn havia pedido apenas uma flecha de aviso.

Por fim, dá-se o último debate, entre Gandalf, Aragorn, Éomer, Imrahil (Príncipe de Dol Amroth, região de Gondor), os filhos de Elrond. Apesar dos personagens serem diferentes, o debate se dá de forma bastante parecida. Eles sabem que a vitória é momentânea e que se quiserem acabar com Sauron em definitivo, só lhes resta ter certeza de que Frodo conseguisse destruir o Um Anel. Decidem, então, chamar atenção de seus exércitos para fora de Mordor, servindo de isca diante do Portão Negro e evitando chamar atenção para o que acontece em seu próprio território.

Na versão estendida, há ainda uma cena na qual Aragorn usa a palantír para lançar o desafio a Sauron, a exemplo do que acontece no livro, embora neste último, ele o tenha feito muito antes, antes mesmo de ir até a Senda dos Mortos.


10. O Portão Negro se Abre

O último capítulo do Livro V narra a partida do exército dos homens para a batalha final, apenas dois dias depois da vitória de Gondor. Diferentemente do filme, Merry acaba ficando para trás, visto que ainda está ferido, junto a boa parte do exército, destinado a não deixar a cidade desguarnecida de outros ataques. É descrita então a jornada dos homens através de Osgiliath e atravessando o Anduin rumo ao norte.

A certo ponto chega a ser questionado por que não atacar Minas Morgul, que está mais próxima e parece ter menos defesa. Mas Gandalf aconselha contra, visto que, sabendo que Frodo e Sam foram por ali (por conta da narrativa de Faramir), é melhor não atrair os olhos do inimigo na direção de Cirith Ungol.

Toda a jornada dura em torno de 6 dias e eles finalmente chegam ao Portão Negro, lançando o desafio a Sauron. Num primeiro momento, silêncio é a resposta, mas então, vem um arauto. Uma criatura horrenda que atende por Boca de Sauron, e que pode ser vista na versão estendida. Delicia-se ao mostrar aos heróis os espólios que conseguira de Frodo: sua espada, o colete e a capa com o broche élfico. No filme, contudo, o vilão mostra apenas o colete.

E muito embora o diálogo que seja traçado entre eles seja bastante parecido, no livro os resultados são diferentes: Gandalf recusa os termos da Boca e este volta para de dentro dos portões, enquanto seu exército avança. Na versão estendida do filme, Aragorn apenas saca a espada e o decapita, recusando-se a acreditar na derrota de Frodo. É nesse momento que o Olho de Sauron volta-se para eles, e não quando da chegada do exército dos homens, como mostrado na versão original.

Os Orques os cercam e avançam para cima deles, junto a enormes trolls. Um deles atinge Beregond, mas Pippin, em resposta, o transpassa o estômago. O inimigo cai sobre ele e o hobbit toma ciência do próprio fim, quando vê, ao longe, as Águias se aproximando.

LIVRO VI

1. A Torre de Cirith Ungol
2. A Terra da Sombra

O capítulo 1 mostra a saga de Sam para resgatar Frodo, já que isso não se dá de forma tão rápida quanto nos filmes. Sam tem que dar a volta na torre e procurar a estrada principal, mas esta é guardada por estranhas estátuas que fazem o papel de Sentinelas, prendendo na sombra quem tenta se aventurar para além delas, ou seja, impedindo que qualquer um entre ou saia. Sam então faz uso da Luz de Galadriel uma vez mais para avançar e, tal como nos filmes, acaba tendo um golpe de sorte, já que duas facções de Orques começam a brigar entre si pelos espólios de Frodo, poupando-lhe o trabalho de ter de enfrentar um grupo mais numeroso de inimigos.

Também encontrar Frodo não se prova tarefa fácil, mas ele consegue matar um Orque que o guardava e lhe devolve o Anel. Tal como no filme, é nítido o domínio que o Um exerce sobre Frodo nesse ponto, de maneira a chegar a ficar irritando quando Sam sugere que eles dividam o fardo. No livro fica um pouco mais claro do porquê Frodo se recusar a fazê-lo. Não se trata apenas do domínio maligno do Anel sobre ele, mas Frodo não deseja que Sam passe pela mesma coisa que ele está passando. É por isso que ele diz Preciso carregar o fardo até o fim. Isso não pode ser alterado.

Eles então escapam da torre e Sam novamente usa a luz para passar pelas sentinelas. Nesse ponto, é preciso lembrar, que os exércitos dos Capitães já estão marchando em direção ao Portão Negro. Dessa forma, a distração que eles proporcionam não se dá exatamente como no filme, parecendo um pouco forçada a “coincidência” do Olho de Sauron voltar-se a eles justo quando Sam e Frodo mais precisam, ainda que os heróis não saibam, nesse ponto, se eles estão vivos ou não. A jornada do exército dura seis dias e o Olho e seus Orques voltavam-se para lá durante todo o tempo, e não apenas no momento específico em que eles chegam aos portões.

Da mesma forma, começa a jornada dos dois Hobbits pela terra sombria, que dura mais ou menos o mesmo tempo. Assim como nos filmes, eles se disfarçam de Orques para não chamarem muita atenção, mas evitam serem vistos o máximo que podem, o que nem sempre é tarefa fácil. Eles tentam contornar o acampamento, mas há Orques procurando por eles depois de encontrarem os corpos da torre. Eles conseguem ficar escondidos e até ouvir certa conversa dos inimigos, que falam sobre a derrota em Minas Tirith.

Contudo, quando os exércitos começam se movimentar para o portão, eles acabam ficando encurralados e tentam disfarçar, sentando-se na beira da estrada como se fossem dois Orques cansados. O plano não funciona e o líder começa a açoitá-los e coloca-os para marchar junto aos demais. Em certo momento, há confusão entre os Orques – como sempre há – e eles aproveitam para fugir. Essa cena pode ser vista na versão estendida, muito embora lá a confusão seja causada por eles mesmos, num ato de desespero.

Talvez a principal desvantagem do filme seja que ele não consegue passar com exatidão todo o esforço de Frodo e Sam naqueles momentos finais e o que significa, de fato, estar em Mordor. O próprio ar lá é venenoso, a terra é árida, sem esperança de água ou comida, de maneira que eles mesmos se indagam como é que Sauron alimenta seus exércitos. É enormemente custoso achar um pouco de água, ainda que não seja exatamente limpa, mas é a única que eles acham. Comida, então, é impossível de encontrar e só lhe restam as poucas sobras das provisões.

Frodo está exausto não apenas pelo peso do Anel, mas pela mente cada vez mais entorpecida, cada vez mais próxima do lado sombrio. Quando ele diz que “está nu no escuro”, sem lembrança do gosto da comida ou da água, isso é apenas a superfície de tudo o que ele está passando naquele momento.

Para aliviar um pouco a carga, eles então se livram das armaduras dos Orques (o que é mostrado na versão estendida) e é assim que, desprovidos de qualquer esperança, eles iniciam a escalada final.

3. O Monte da Perdição
4. O Campo de Cormallen

O capítulo 3 mostra mais ou menos o mesmo que é mostrado no filme, embora, claro, com muito mais detalhes. Mas está tudo lá, ou seja: Sam carregando Frodo, o reencontro com Gollum, a chegada até a entrada da montanha, a disputa final pelo Anel e tudo mais. Talvez você possa se perguntar como Frodo pode lutar contra Gollum nesse ponto, estando tão esgotado, o que é respondido, claro, pela a vontade cruel e voraz que o Portador tem de mantê-lo a qualquer custo, mesmo que isso lhe tome a vida.

O interior da montanha é descrito como sendo de escuridão total, de maneira que nem a Luz de Galadriel consegue iluminá-la, além do barulho de máquinas trabalhando. Da mesma forma que no filme, Sam é atingido pelas costas e Gollum parte para cima de Frodo uma vez mais. O final, contudo, é ligeiramente diferente: Gollum arranca o dedo de Frodo na base da mordida mas, ao dançar para comemorar sua vitória, acaba vacilando e caindo sozinho no abismo. A cena de Frodo pendendo e sendo uma vez mais salvo por Sam, portanto, foi incluída por Jackson para aumentar a dramaticidade da sequência.

Todo o restante, ou seja, a ruína de Mordor, das torres e montanhas, bem como a queda dos Nazgul ante a chuva de fogo, se dá de forma exatamente igual. Frodo e Sam escapam e aguardam o fim, já conformados com a missão ter sido cumprida, ao menos.

A batalha que se dá diante do Portão Negro, portanto, ganha bem menos destaque no livro, já que o capítulo 4 já se inicia narrando seus momentos derradeiros. As águias chegando, os Nazgul fugindo e a torre caindo. Os exércitos, livres do domínio de Sauron, acabam fugindo caoticamente, enquanto as águias Gwaihir, Landroval e Meneldor vão, sob o comando de Gandalf, ao resgate de Frodo e Sam.

Quando acordam, eles estão em Ithilien e finalmente reencontram Gandalf. Depois de estarem revigorados, eles vão ter com Aragorn e surpreendem-se com cavaleiros em cota de malha e o povo todo reunido para lhes prestarem homenagem. Sam e Frodo então são ovacionados, e canções são escritas para contar sobre seus feitos. Uma honra digna, sem dúvida, mas que substitui uma das melhores cenas de toda a trilogia e sem dúvida a minha preferida:

Por fim, dá-se o reencontro com os demais membros da Sociedade, e eles passariam ainda muitos dias em Ithilien.

5. O Regente e o Rei
6. Muitas Despedidas
7. Rumo ao Lar

O capítulo 5 trata basicamente de desenvolver o romance entre Éowyn e Faramir, contando em detalhes a longa recuperação de ambos e o relacionamento que floresce. Dá-se então a coroação do Rei e Faramir continua como regente, mas Aragorn pede que Frodo entregue a coroa a Gandalf e que esse reja a cerimônia, tal como mostrado no filme. O novo Rei então profere as palavras élficas que são cantadas no filme:

Et Eärello Endorenna utúlien. Sinome maruvan ar Hildinyar tenn’ Ambar-metta!

Traduzindo: “Do Grande Mar vim à Terra-Média. Neste lugar habitarei, e meus herdeiros, até o fim do mundo.”

É dito que assim começara a Quarta Era e que os dias de Aragorn foram de paz e reconstrução. O novo Rei faz algumas resoluções, sendo a primeira delas julgar Beregond, já que este matara a guarda do Regente e violara as tumbas, crime punível com morte. Mas, sabendo que ele o fizera para tentar proteger Faramir, Aragorn o perdoa e o nomeia capitão da Compania Branca, a serviço de Faramir, Príncipe de Ithilien. Este então desposa Éowyn e os dois viveriam em Emyn Arnen.

Também a árvore de Gondor é replantada – se você perceber, no filme, na cena da coroação, ela aparece de relance, com algumas folhas renascendo – e Aragorn casa-se com Arwen. Neste sentido, a relação entre os dois é bem melhor trabalhada nos filmes, já que pouco se fala no livro sobre esse romance, que fica subentendido vez ou outra. No livro também é explicado o porquê de Frodo poder ir com os elfos aos portos cinzentos: foi Arwen que deu seu lugar a ele, como recompensa por sua custosa demanda.

O capítulo 6 narra, mais uma vez, a jornada dos membros restantes da Sociedade, fazendo o caminho de volta, muito embora, é claro, a estrada agora seja muito mais tranquila. Frodo deseja ver Bilbo em Valfenda uma vez mais e são acompanhados por extensa comitiva, já que também os homens de Rohan vem pegar o corpo de Théoden para sepultá-lo apropriadamente em suas terras. Na medida em que eles avançam pela estrada, vão se despedindo de seus companheiros.

Após presenciarem o funeral de Théoden, eles passam por Isengard e as mudanças feitas pelo Barbárvore já podem ser vistas. Contudo, acabam ficando receosos com a notícia de que Saruman e Grima partiram e que o velho Ent simplesmente os deixara ir, embora Gandalf desconfie que o velho mago ainda detenha boa parte de sua língua enfeitiçada.

No caminho para Valfenda eles acabam por encontrar os dois vilões, maltrapilhos como mendigos. Gandalf mais uma vez tenta mostrar clemência, que mais uma vez é rejeitada e Saruman afirma estar procurando atravessar os limites do reino do assim proclamado “novo rei” Aragorn.

Já na terra dos elfos, se dá o reencontro com Bilbo, que fica abismado com as novidades. É aqui, e não no caminho para os portos, que o velho hobbit pede para ver o seu velho anel, ao que Frodo responde Eu o perdi.

É importante lembrar que Merry e Pippin agora são cavaleiros de Rohan e Gondor, respectivamente, e vão vestidos como tal. Também cabe recordar que, por conta de terem bebido a água dos ents, ambos cresceram em estatura, ou seja, quando eles finalmente retornam para casa, eles estão imponentes.

Com Aragorn tendo voltado a Gondor, Gimli e Legolas tendo partido sozinhos para explorar as terras que não haviam tido tempo de conhecer, restam apenas Gandalf e os quatro hobbits no caminho final. No capítulo 7, eles ainda param em Bri, onde ficam sabendo de algumas novidades estranhas contadas pelo Sr. Carrapicho e Sam reencontra seu velho pônei Bill.

As estranhas histórias que eles ouvem acabam sendo um tipo de prenúncio de que sua terra natal já não é mais a mesma de outrora, e que algo está errado lá. Mas nesse ponto, Gandalf dá uma de “malandro” e segue seu rumo, dizendo simplesmente algo como “Não estou indo para o Condado, o que quer que haja lá, vocês tem plena capacidade de lidar, pois foi pra isso que treinaram. Falou, valeu!”.

É claro, naturalmente Tolkien queria que os heróis encarassem sozinhos o desafio final, justamente para mostrar o quanto a jornada havia lhes mudado. Mas poderia ter tido uma desculpa melhorzinha para o velho mago não ter ido com eles, não?

8. O Expurgo do Condado

Quando finalmente chegam no Condado, os quatro o encontram completamente tomado pelos homens de aspecto órquico que eram empregados por Saruman em Isengard. Há regras e mais regras estúpidas, e aos poucos eles vão desvendando o que houve. Durante todo o ano, enquanto Frodo e os demais estavam na demanda, os rufiões foram ocupando o Condado, até que acabaram impondo a tirania sobre seus habitantes.

Mas é claro, os heróis decidem não se curvar sob o jugo dos vilões ou desse “chefe” que eles falam, quem quer que seja, e conseguem incitar os hobbits à revolta. E embora Frodo não deseja ferir ou matar ninguém, o confronto se faz inevitável. E é claro que o “chefe” não é ninguém menos senão Saruman.

Depois de matar ou expulsar os vilões de suas terras, eles vão ter com o mago e com seu lacaio Língua-de-Cobra. E, apesar de Frodo os expulsar do Condado, mesmo depois de Saruman tentar desferir-lhe um último golpe, o desfecho dos dois acaba se dando de forma bastante parecida com o que se vê na versão estendida de O Retorno do Rei. Frodo fala a Grima que ele não é obrigado a seguir Saruman, ao que este vocifera frases de total desprezo para com seu lacaio. Este, por sua vez, que parece guardar rancor amargurado por meses, talvez anos, finalmente cria coragem para erguer a mão contra seu mestre. Ele o apunhala pelas costas e, ao tentar fugir, é alvejado pelas flechas dos arqueiros hobbits.

O corpo de Saruman definha completamente até virar um monte de ossos e crânio. Frodo o cobre e Sam exclama, finalmente: E isso é o fim disso.

Há que se entender a revolta de alguns fãs mais ardorosos com relação à decisão de Jackson de não incluir esse capítulo no filme. É aqui que percebemos o quanto eles amadureceram em sua jornada e realmente teria sido legal vê-los incitando os hobbits a se levantar contra o jugo de Saruman. No entanto, também é compreensível a justificativa de Jackson, que dizia que precisaria de outro filme para contar essa história.


9. Os Portos Cinzentos

Começa então o trabalho de reconstrução do Condado. É quando Sam tem a oportunidade de usar o presente de Galadriel para dar vida aos jardins de sua terra. Ele também desposa Rosinha, como mostrado no filme, muito embora o relacionamento dos dois venha sendo construído desde o capítulo anterior, ao contrário da película, no qual a coitada da atriz não tem sequer uma fala.

O último capítulo também fala sobre a passagem dos anos e sobre o efeito deles sobre Frodo. Sempre, no aniversário de seu ferimento do Topo-do-Vento, ele é acometido por uma estranha escuridão e dor onde fora apunhalado. E no aniversário do envenenamento de Laracna, ele adoece.

Por um tempo, Sam e Rosinha moram com Frodo, mesmo após a vinda de sua primeira filha, embora, eles não soubessem, Frodo já tinha planos de partir. Assim como mostrado no filme, ele termina seu relato no livro vermelho, embora o título, no livro, é dado como A Queda do Senhor dos Anéis e o Retorno do Rei.

Sam então o acompanha até os portos, junto aos elfos. Merry e Pippin chegam a tempo de vê-lo partir junto com Gandalf e os demais. Os três voltam para casa em silêncio e a última frase do livro é também a última do filme. É Sam quem diz, apenas: Bem, estou de volta.

O livro do Retorno do Rei traz ainda uma série de apêndices que dão um vislumbre sobre todo o universo que Tolkien criara. Não é à toa que seja uma das obras mais importantes da literatura fantástica de todos os tempos, pois é uma mitologia riquíssima. Estes apêndices, juntamente com o Silmarilion e Contos Inacabados, é o que dá, em parte, inspiração para o que é visto na série Anéis do Poder, embora esta faça bastante uso de liberdade poética.

Mas isso já é outra história. Quem sabe para uma outra série de posts…

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