Excelente filme do espanhol Manuel Martín Cuenca e obrigatório para qualquer aspirante a escritor/roteirista.

Apesar de ser um filme de 2017, só recentemente entrou na Netflix, quando apareceu em minhas sugestões. O trailer já me deixou curioso, pois trata da ideia de um escritor em crise, que está procurando inspiração para sua primeira obra.

A trama lembra um pouco outro filme fantástico, Adaptação, de 2002. Nele, o roteirista Charlie Kaufman (Nicholas Cage) está tendo dificuldades em escrever seu próximo filme e acaba fazendo um seminário com um professor de roteiro de cinema (Marlon Blando, no que se não me engano, foi um de seus últimos papéis).

Na cena em questão, Charlie pergunta “e se o roteirista quiser fazer algo em que nada acontece, como no mundo real?”, ao que a resposta do seminarista é: “Primeiro, se você fizer um roteiro sem conflito, vai matar sua audiência de tédio. Segundo, ‘nada acontece no mundo real’? Você tá maluco, porra?”

Em o Autor, há uma cena parecida logo no começo, pois o protagonista, Álvaro, lê um trecho de um livro que está escrevendo e é horrível. O professor fica puto, pois em 3 anos que ele está lá, ainda não entendeu o que é preciso para escrever. O xinga, o esculacha, diz que ele tem que experimentar o mundo real se quiser escrever sobre coisas reais.

Álvaro então tem uma epifania ao voltar para casa e escutar uma conversa vinda do apartamento ao lado do seu. Ele decide escrever sobre o prédio onde mora e começa a investigar os vizinhos para construir os personagens. Contudo, percebe que a história precisa de um “empurrãozinho” e é ele próprio quem começa a criar os conflitos que puxarão a história dos “personagens”.

Mas o que acontece quando o autor toma parte ativa na história? Quando autoria e protagonismo se misturam? Quando o “mocinho” começa a manipular as coisas para que os fatos transcorram a seu favor? Você pode imaginar, boa coisa não pode sair disso e assim como em Adaptação, a história dança o tempo todo na linha da metalinguagem.

Algumas pessoas acharão a narrativa tediosa e monótona e eu entendo isso. Não quero estragar o final, mas só posso dizer que vale a pena insistir e acompanhar até os créditos finais. Esperava um filme ordinário e sem nada demais, mas acabou se revelando uma bela surpresa.

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