Outer Wilds

O melhor jogo que joguei em muito tempo!

Não há quase nada de ação. Trata-se de um jogo de exploração espacial e… calma, se você já está entediado nesse preâmbulo, eu entendo seu ceticismo. Exploração por si só não é muuuuito a minha praia, mas o que me chamou atenção é que o sistema solar onde o jogo se passa colapsa em 22 minutos. Ou seja, só por aí você já vê que não é só um jogo de exploração.

A começar pelos mundos, que são 5 no total, cada um com suas peculiaridades e todos muito bem bolados. Você começa no Recanto Lenhoso e, após conhecer a vila onde mora, seus personagens, histórias e mitologias, está pronto para pegar os códigos de lançamento e partir pela primeira vez rumo ao desconhecido.
Você não é o primeiro, sendo que outros viajantes estão espalhados pelo sistema e você pode encontrá-los e conversar com cada um deles. Mas estou me adiantando.

Os planetas mais próximos do Sol são os gêmeos, Gêmeo Cinzento e Gêmeo Cálido. O curioso aqui é que o Cinzento começa completamente branco, cheio de areia, mas logo essa areia toda começa a ser “puxada” pelo seu irmão mais pesado. Ao final do ciclo de 22 minutos, o Gêmeo Cálido está completamente soterrado, enquanto que o Cinzento está “pelado”.

Essa condição entre os dois planetas traz uma dinâmica de exploração, pois por vezes você terá de se apressar para acessar certos locais no Gêmeo Cálido, enquanto que em outras tem que esperar o momento certo para entrar em algumas áreas do Cinzento.

Voltando ao Recanto Lenhoso, há outras áreas a serem exploradas no planeta natal, além de sua lua, Pedra de Lia. O próximo planeta da lista é o Vale Incerto, que possui uma lua vulcânica. Seus vulcões disparam bolas de fogo que explodem em sua superfície, lentamente acabando com sua crosta. 

Mas não há muito acima do solo a ser descoberto. O grande lance desse planeta está justamente em suas camadas interiores, com vários segredos esperando para serem descobertos e seu núcleo nada mais é do que um buraco negro! Não vou dar spoiler dizendo o que acontece quando você cai nele, porque isso inevitavelmente ocorrerá uma hora ou outra.

É claro, planetas gasosos não poderiam faltar e a estrela aqui é o Profundezas do Gigante. Após atravessar sua nuvem de gás esverdeado, você encontra um núcleo aquático cheio de ciclones e pequenas ilhas nas quais pode aterrissar. No entanto, é preciso ter cuidado, pois vez ou outra essas ilhas são lançadas no espaço antes de retornarem abruptamente ao seu local original.

Por fim, há o Abrolho Sombrio que, como o próprio nome sugere, é o local mais sinistro do sistema. Sem dar spoilers, apenas confie em mim: é tenebroso navegar pelo seu interior.

Há ainda outros locais a serem explorados, como estações espaciais e até mesmo um cometa! Praticamente tudo que você vê é um local onde você pode aterrissar. 

A decisão de fazer os planetas em uma escala absurdamente menor é por demais acertada, mas não se engane: mesmo sendo pequenos, os planetas têm muita coisa esperando para ser descoberta. E por estarem em uma escala menor, os ciclos de dias e anos se passam em segundos, o que é muito legal de ser observado.

Também lhe acompanha um mapa do planeta onde você está pisando, de maneira que você sempre sabe se está em um dos pólos ou no equador, o que vai lhe ajudar muito na localização.

Ainda, um dos lugares mais misteriosos a ser visitado é a Lua Quântica: uma lua que ora orbita um planeta, ora outro, ora simplesmente desaparece. Sim, há vários conceitos como esse de mecânica quântica, elevados à escala macroscópica e quem tudo a ver com a história do jogo.

O grande lance é que quanto mais você explora, mais fica intrigado em saber que diabos está acontecendo nesse sistema. Você não demora a descobrir sobre os Naomi, uma raça que esteve no sistema antes de você e seus escritos e achados arqueológicos é o que vão lhe ajudar a entender o que se passa.

É claro, por algum motivo, você é o único a conservar suas memórias e seu diário de bordo sempre que o loop se reinicia. O diário vai então sendo atualizado com as informações coletadas e pode ser acessado no modo “rumor”, que mostra o que você descobriu, as conexões entre as pistas e aponta com um “?” o que falta descobrir. 

Também pode ser acessado no modo planeta, o que ajuda a saber o quanto falta descobrir em cada local. E, embora eu ache que seja possível fechar o jogo sem necessariamente descobrir tudo, eu não recomendo fazê-lo, sob pena de perder muita coisa bacana.

Algumas vezes você vai ficar travado, mas o jogo sempre lhe dá dicas sobre o que fazer, seja nas informações coletadas, seja lançando seu batedor para testar o ambiente ou resolver puzzles. E se nada disso funcionar, basta você se lembrar do ciclo daquele planeta. Talvez você tenha que esperar alguma coisa acontecer para acessar determinada área. Ou chegar antes.

Por fim, quando você finalmente entender o que tem que fazer e como, será capaz de descobrir os segredos do Universo, que os Naomi buscaram e jamais conseguiram. Talvez dizer que nunca vi um jogo com uma história tão envolvente e com um final tão fantástico quanto esse seja um exagero, mas são exatamente essas palavras que saltam à mente nesse momento.

Para fãs de astronomia, arrisco dizer que o jogo é obrigatório. Quem tem Xbox pode aproveitar enquanto ele está no Game Pass. Corre lá e depois me agradece!

 

Anúncios

Deixe uma resposta