2ª Temporada de American Crime Story (ou: como NÃO fazer uma narrativa horrível em uma série)

Recentemente, a Netflix disponibilizou a segunda temporada de American Crime Story, que ficou anos-luz aquém da primeira. Mas por que isso, exatamente?

Depois da excelente primeira temporada, que conta o famoso caso de O.J. Simpson, com roteiro e atuações impressionantes, a segunda temporada foca no assassinato de Gianni Versace, famoso estilista que morrera baleado em frente à sua casa em Miami, nos anos 90.

O assassino, Andrew Cunanan, era na verdade um serial killer, que havia matado quatro pessoas antes de chegar no seu ídolo, Versace. Contudo, a série não decide se quer focar na história do assassino, na história de Versace, ou simplesmente usar as histórias como pano de fundo para mostrar a dura realidade dos gays nos anos 90.

Para piorar, a narrativa não ajuda. O primeiro episódio já mostra de cara o assassinato e as horas que seguiram após o ocorrido, mas os seguintes vão voltando no tempo gradativamente, mas não de um jeito que cative a atenção do expectador. Usar esse tipo de narrativa é algo que deve ser feito com cuidado, pois nem sempre funciona. No caso, na minha opinião, foi uma péssima escolha.

Há episódios que começam mostrando personagens que não haviam aparecido até então e você fica pelo menos uns 20 minutos se perguntando por que é que aquilo está sendo mostrado. Pergunta que só é respondida quando você já está morrendo de tédio.

Além disso, a série sofre de um problema que a grande maioria das séries sempre sofre: excesso de episódios. A história poderia muito bem ser resolvida em seis, mas estende-se até nove, com uma trama arrastada simplesmente para mostrar o passado de personagens que não acrescentam em nada à trama.

A série se chama American CRIME. Logo, ao meu ver, deveria ser focada nos crimes em si. Quem pega uma história de um serial killer para ver dificilmente estará interessado nos dramas de uma das vítimas, que não tem nada a ver com o ocorrido. É o caso de Versace, mostrando sua vida, os problemas com a irmã e toda uma gama de situações de sua vida de estilista que nada fazem além de “encher linguiça”.

Andrew Cunanan, todavia, é quem deveria ser o foco. O ator Darren Criss o interpreta de maneira magnífica, de modo que ficam claras as psiquês do personagem, os comos e porquês dele se tornar um serial killer, uma pessoa dissimulada e que acha que o mundo deveria lhe dar tudo de mão beijada porque ele merece. 

Penso que a trama ganharia muito mais se o primeiro episódio mostrasse ele até a casa onde ficara escondido e aí, sim, voltasse até sua infância e fosse contando, de maneira linear, seu envolvimento com as vítimas, depois retornando ao presente. É o que chamamos de elipse, e muitas vezes funciona muito melhor do que querer reinventar a narrativa de “Amnésia”.

 

 

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