O novo Predador e a era do “fan service” (ou seria fanfic?)

Se você considerar como filme de comédia, até que é bom.Diferente do que se pensava, o novo Predador não é um reboot, mas sim o quarto filme da franquia, muito embora “Predadores” não seja mencionado (mas também, não tem como alguém saber que sequestraram um bando de gente pra uma caçada em outro planeta).

Antes de falar sobre esse filme, vamos lembrar porque o primeiro Predador é tão bom. Estamos na selva e um grupo de soldados é emboscado por uma criatura que eles não fazem ideia de onde veio. A gente mal vê o Predador durante boa parte do filme, o que aumenta o suspense a cada minuto. E terminamos com um confronto épico entre homem e alienígena. Schwarzenegger em sua melhor forma.

No segundo filme, já conhecíamos a criatura, mas ainda assim, a tensão é constante, com Denny Glover interpretando um policial esquentado em uma cidade dominada pela violência. História intrigante, ação frenética e aquela cena do metrô que ficou em nossa memória para sempre.

Predadores é legal, mas não chega nem perto dos originais. Agora, estamos em 2018, todo mundo já conhece Aliens, Predadores e Exterminadores do Futuro. Não precisa perder muito tempo com apresentações. É por isso que o filme já começa com um Predador fugindo de alguma coisa e sua nave colide no meio da selva.

Um franco-atirador do exército americano acaba presenciando a queda e passa a ser perseguido por uma agência que quer encobrir a verdade. Como resultado, acaba indo parar num ônibus cheio de ex-militares com problemas mentais. É aí que o filme difere do original: se antes tínhamos um bando de fuzileiros competindo entre si para ver quem era o mais machão, agora temos um bando de loucos que não fazem ideia de onde se meteram.

A coisa complica quando aparece a criatura da qual o Predador fugira. É um novo Predador, maior, mais forte e mais evoluído geneticamente. É aí que o pessoal “das antigas” como eu acaba torcendo o nariz. [SPOILER] Segundo essa nova perspectiva, os Predadores não arrancavam as espinhas e crânios de suas presas simplesmente para coletar troféus. Eles estavam colhendo DNA das melhores espécies para implantar em si mesmos e assim, forçar uma evolução. [SPOILER]

Até aí, até vai. Não condiz muito com o perfil dos personagens que adoramos, mas beleza, dá pra deixar passar. O problema é que o filme inunda você com piadinhas e situações hilárias o tempo todo. Essa tem sido uma reclamação constante dos críticos, e com razão. Até que as piadas são engraçadas – o que prova que só a DC no cinema que não sabe fazer humor na hora certa – mas é um filme que supostamente não DEVE ser engraçado o tempo todo.

Uma piadinha aqui e ali, ok, como acontece no primeiro e segundo filmes da franquia, com algum alívio cômico em momentos bem espaçados. Mas O TEMPO TODO, já muda toda a lógica do filme. Não tem mais aquela tensão que tínhamos nos originais e mesmo em Predadores. Deixa de ser um filme de ação/suspense para ser uma filme de comédia com alguns momentos de ação, pura e simplesmente.

Some-se a isso ao fato de termos a volta dos “cães de caça” (sendo que um deles passa para o lado dos humanos – oi?), explosões gratuitas e o novo Predador de quatro metros de altura e voilà: você está com o pacote completo para agradar os fãs de Velozes e Furiosos, Transformers e afins. Foda-se a história, vamos só fazer o povo rir e ver explosões legais. Os fanboys vão à loucura. Sabe aquele lance do “massa, véio”?

Nada de errado com isso, mas não é o que se espera de um filme do Predador. Durante o filme não pude deixar de lembrar da última temporada de GOT. Parece que falaram “vamos ignorar a história, fazer isso, isso e aquilo, vai ficar massa! O público quer ver um romance entre esses personagens, quer ter um dragão de gelo… vamos dar a eles o que eles querem! A audiência vai à loucura!”. Ou seja, virou uma fanfic.

O ápice de tudo isso está na cena final. Um pequeno spoiler: eles descobrem que o Predador estava tentando entregar uma arma à humanidade, para dar a eles a chance de enfrentar os Predadores “evoluídos”. Quando finalmente descobrem o que é a tal arma, que eles chamam de “Mata-Predador” (não estou brincando), dá vontade de vomitar. Até se fosse um clone do Schawarzenegger não teria sido tão ridículo.

Enfim, espero que ignorem esse filme e façam melhor num próximo. Ou não, simplesmente parem de tentar resgatar franquias dos anos 80. Hollywood não sabe fazer isso direito.

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