Cavaleiro da Luz e a Revolução Brasileira

Revoltado com a política brasileira? Esse post é para você.

“O que está acontecendo com nosso país?”, eu vejo alguém perguntar, quase todo dia, nas redes sociais. A resposta é simples: o mesmo que já acontecia antes. A diferença é que agora, tem internet.

O brasileiro nunca foi conhecido por ser ativo politicamente. As razões para isso são inúmeras e remontam até a época do descobrimento. O vídeo a seguir faz um bom resumo sobre o assunto, mas claro, não pode ser utilizado como única fonte na busca por essas respostas.

E não, não há uma perspectiva de mudança, ao menos num futuro de curto ou médio prazo, infelizmente. Quando a gente é jovem, esse tipo de coisa gera uma revolta, uma vontade de fazer algo, mas não se sabe bem o quê. Depois de velho, a gente acaba se acomodando e se contentando em tocar a própria vida da melhor maneira possível.
Mas passei boa parte dos anos 90 discutindo com os amigos esse tipo de coisa, até que, quando comecei a escrever roteiros de quadrinhos, em 2006/2007, tive essa ideia de fazer um “V de Vingança brasileiro”. É, hoje em dia, está cheio de quadrinhos similares por aí, vindo na onda das manifestações de 2012 e da revolta geral com a situação no nosso país, que dá muito pano pra manga.
Mas naquela época ainda não tinha nada disso e eu resolvi ambientar a história em 2022, ou seja, 200 anos após a declaração da independência. A inércia do povo havia chegado a tal ponto que a situação do país está ainda pior, com índices de desemprego altíssimos, desigualdades sociais, etc. Nesse sentido, a história se tornou uma espécie de paródia da nossa presente realidade.
Surge, então, o Cavaleiro da Luz. Um vigilante que passa a matar políticos corruptos. Ele começa uma jornada de capital em capital perseguindo seus alvos, destruindo monumentos e incitando a revolução. “Acordando” o povo brasileiro. Mas veja, o foco da história nunca foi o Cavaleiro. É claro que tem o lado “cool” de ver um mascarado metralhando ou chacinando bandidos de colarinho branco, mas tanto ele não é o foco da história, que eu dificilmente chamaria ele de protagonista. Sua identidade mesmo, só é revelada lá pela metade da saga, que tem 30 capítulos.
Seu nome é derivado da ordem dos Cavaleiros da Luz, uma organização maçônica real. É claro que eles tem uma participação crucial na história, para o bem ou para o mal. Aos poucos, vamos descobrindo as motivações do Cavaleiro no porquê dele fazer o que faz. E porquê isso terá influência no futuro.
Ah, sim. A história é dividida em 5 volumes, de forma que os 3 primeiros tratam da jornada do Cavaleiro e de sua chegada ao poder. Os últimos 2, contudo, tratam das reformas, do que ele tem vontade de fazer como Chefe de Estado, e dos inimigos que ele forma ao tentar fazer “a coisa certa”, do seu ponto de vista.
Sim, do ponto de vista dele, porque quando falamos de política, “fazer a coisa certa” pode não ser assim tão preto no branco, dependendo do assunto. A minha ideia não era, obviamente, dar soluções prontas para o país e dizer “é isso que tem que ser feito”, mas gerar reflexões. Para isso, eu havia até pensando em fazer um site exclusivo do Cavaleiro (que eu até fiz, mas nunca tive paciência de manter), fazer uns vídeos virais dele assumindo a autoria dos assassinatos, mas dada a minha inépcia com edição de vídeos, preferi não seguir adiante.
A ideia era incitar a discussão. Para mim é bastante óbvio que nosso país tem problemas graves, mas ao invés de só reclamar, por que não propor soluções, então? Ideia ambiciosa demais? Talvez. Para uma pessoa. Mas se fizermos todos juntos, quem sabe um dia a gente não chega lá?
De qualquer forma, depois de 9 anos de produção e após passar nas mãos de dezenas de desenhistas, o projeto finalmente ficou pronto e está disponível para leitura online, aqui mesmo no site da Quadrinhópole, ou se preferir, no Social Comics. Ainda não tenho previsão de lançar um volume impresso, vai depender da aceitação. Por isso, espero que curtam!

 

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