Juiz Dredd

mythos-dredd1_jdm1_capaAproveitando esse espetacular lançamento da Mythos Editora, vamos falar um pouco sobre este fantástico personagem, que não é muito conhecido aqui no Brasil, mas faz um grande sucesso lá fora.

O Juiz Dredd é um personagem criado para a revista britânica 2000 AD no final da década de 70. Apesar do sucesso praticamente instantâneo, no Brasil ele sempre teve dificuldades de emplacar. Foi publicado pela extinta Ebal na revista Ano 2000, mas teve curtíssima duração e acabou no limbo por anos.

Com exceção de alguns crossovers publicados durante a década de 90, os leitores brasileiros só leriam Juiz Dredd novamente quando a Pandora Books publicou, em 2003, dois encadernados de histórias antigas: Os Punhos de Stan Lee e Os Juízes do Apocalipse, este último contando a origem de um dos inimigos mais mortais de Dredd, o Juiz Death.

Agora, em 2013, a Mythos editora tenta mais uma vez retirar o personagem do limbo. Já li as 3 primeiras edições e devo dizer que o material, em geral, está sensacional. A editora teve a acertada edição de trazer tanto histórias clássicas quanto atuais do bom Juiz, o que é ótimo para conceituar os leitores, agradando tanto os antigos quanto os novos. A revista traz ainda outras séries da 2000 AD, algumas muito boas, outras nem tanto, mas é normal que uma revista mix tenha títulos que procurem agradar gregos e troianos.

Além de Dredd, você vai encontrar na JUIZ DREDD MEGAZINE títulos como Área Cinzenta (muito boa), Nikolai Dante (interessante), Sláine (boa pra quem é fã de Conan, o que não é o meu caso), Áquila (começou promissora, vamos ver onde vai dar) e histórias curtas de Alan Moore que – xinguem-me se quiserem – eu particularmente não vejo a menor graça. Sério. Sou fã do cara, mas esse negócio de endeusar qualquer bilhete de geladeira que ele escreva não é comigo. Mas enfim, isso é outra história. Vamos torcer para que, diferente das outras encarnações, essa revista tenha vida longa.

E ao mesmo tempo em que desejo sucesso à Mythos nesta empreitada, acho interessante aproveitar a oportunidade para falar do Juiz Dredd em outras mídias. Quando se fala dele, é quase impossível não deixar de falar do polêmico filme do Stallone de 1995. E quando eu digo “polêmico”, estou sendo bondoso.

dredd_stalloneMas apesar dos pesares, eu acho que o filme tem seus méritos. Veja bem, os produtores tentaram, até certo ponto, fazer algo fiel ao Juiz Dredd dos quadrinhos: existe a menção à Guerra de Blocos, que realmente aconteceu nas hqs. Seu antagonista é Rico e é revelado que tanto Dredd quanto seu inimigo são clones do Juiz Fargo, exatamente como nos quadrinhos. E até mesmo um dos inimigos clássicos de Dredd faz sua aparição, o Máquina Malvada.

Então, qual é o problema? Putz. Difícil dizer por onde começar. Acho que o principal problema do filme é a descaracterização do personagem. Dredd não tira o capacete em momento nenhum nos quadrinhos, mas é claro que o rosto do Stallone tinha que aparecer. Além disso, ele solta uns bordões que não fazem o menor sentido, tipo “Sabia que você ia dizer isso”.

Para piorar, temos o personagem do Rob Schneider, que só foi colocado lá como “alívio cômico”, mas de engraçado o cara não tem nada. Pelo contrário, toda vez que ele aparece em cena dá vergonha.

E Rico, apesar da atuação interessante de Armand Assante, é um personagem sem objetivo algum, querendo o caos meramente pelo caos. Mas não do jeito “Coringa” de ser… é um vilão que está lá perdido, só pra trocar sopapos com Stallone no final do filme.

A história eu até acho bem bolada. O roteiro consegue amarrar bem a origem e a história de Dredd, explicar a história dos juízes, apresentar o Juiz Fargo e sua importância e até mostra um pouco da Terra Amaldiçoada. Só que tem uns furos aí no meio que são difíceis de engolir. Por exemplo, a já mencionada falta de propósito de Rico. Além de ele ganhar uma “assistente” no final do filme que foi jogada lá de pára-quedas. Num momento, ela odeia Rico. No outro, está dando chutes numa juíza por causa dele. Não faz sentido algum.

dredd_2012Mas enfim, apesar dos momentos embaraçosos, vale a pena conferir essa pérola. Totalmente diferente do novo filme lançado no ano passado, protagonizado por Karl Urban. Desta vez fizeram um filme absurdamente fiel ao Dredd e é realmente uma pena que ele não tenha emplacado nas bilheterias e dado a oportunidade de uma continuação.

Contudo, eu tenho algumas ressalvas desse filme. Primeiro, num filme do Juiz Dredd você espera ver uma cidade futurista e pelo menos ter um vislumbre da Terra Amaldiçoada. O filme se passa, 95% do tempo, dentro de um prédio no qual Dredd e outra juíza têm de escapar de criminosos controlados pela Mama.

E apesar da história ser muito boa, tire o Dredd e coloque qualquer outro ali e você tem um filme de ação comum. Mas tudo bem, apesar dessas coisas me incomodarem um pouco, é um excelente filme e dá de 10 a 0 na versão de 95. Como eu disse, é uma pena não haver perspectiva de um novo filme, pois seria fantástico ver Dredd encarando o Juiz Death nas telonas. Enfim, nos resta apenas imaginar como seria tal confronto.

 

dredd_megaO filme de 95 acabou originando um jogo para Mega Drive e SNES. Eu sei o que você está pensando: deve ser uma merda. Mas você se engana, pequeno gafanhoto, pois este é um dos raros casos em que o jogo ficou melhor que o filme!

Fielzão ao espírito do Dredd, o jogo na verdade pode ser dividido em duas partes. A primeira adapta a história do filme e você passa por cenários que correspondem à história do mesmo e enfrenta robôs no mesmo estilo do robô de guerra que Rico usa na película.

Contudo, depois de enfrentar Rico na Estátua da Liberdade e encerrar a história do filme, o jogo continua e você enfrenta os Juízes do Apocalipse! Essa foi uma excelente sacada dos produtores, aproveitar a oportunidade da adaptação do filme para realmente fazer um jogo decente de Dredd (ou o mais próximo de “decente” que se podia ter na época).

JudgeDredd-NEW-XBOXAlguns anos depois tentou-se fazer algo parecido para a primeira versão do Xbox e para PC. Tentei jogar um pouco, mas não passei da primeira fase. Não por ser difícil, mas por ser incrivelmente chato e mal feito!

Neste jogo você controla Dredd em primeira pessoa, mas os cenários e as pessoas são tão toscos e a movimentação é tão ruim que não dá vontade de jogar. Sério, mesmo se você for fã ardoroso do bom Juiz, passe longe dessa porcaria.

 

Se você quer saber ainda mais sobre o Juiz Dredd, Aqui vão alguns links sobre sua cronologia oficial:

http://www.2000ad.org/?zone=dredd&page=timelines
http://homepage.ntlworld.com/john.caliber/timeline.htm
http://forums.2000adonline.com/index.php?topic=21717.0

 

Ao lê-las, você perceberá porque o personagem faz tanto sucesso: além dos excelentes roteiros de John Wagner e de outros fantásticos artistas, a cronologia sempre é respeitada. O que acontece com o personagem realmente causa impacto! O que acontece na cidade tem consequências drásticas! Não fica essa putaria de “esta saga vai abalar as estruturas do universo e os personagens nunca mais serão os mesmos” e não dá 6 meses, está tudo igual.

Longa vida ao Dredd e boa sorte à Mythos na nova empreitada!

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Um comentário sobre “Juiz Dredd

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