Uma das histórias mais icônicas e importantes dos X-Men, que acabou inspirando “Exterminador do Futuro”, ela já foi adaptada para filme e até para desenho animado. Mas o que faz dela tão especial?

Tida como uma equipe de super-heróis secundária nos anos 60, com fracas vendas, os X-Men só se tornaram o fenômeno que são hoje graças à dupla Claremont/Byrne, que revolucionou a equipe, trazendo temas adultos para os roteiros e a inovadora arte de Byrne que chamava a atenção. E um dos momentos mais marcantes se deu em Uncanny X-Men 141, numa história que acabou inspirando James Cameron a produzir o primeiro filme da franquia “Exterminador do Futuro”. Mas o roteirista jamais imaginaria que uma simples história em duas partes teria consequências tão duradouras no título e até viraria filme, fechando o ciclo de “nada se cria, tudo se copia”.

O quadrinho

No Brasil, a história foi publicada pela primeira vez em Superaventuras Marvel 45 e 46, de fevereiro e março de 1986. Na época, os mutantes nem sequer tinham um título, fazendo parte do mix de SAM e a capa até trazia a inspiração da história estampada no fundo.

De cara temos um vislumbre de um futuro pós-apocalíptico dominado pelas Sentinelas, em que a maioria dos super-humanos, mutantes ou não, perecera pelas mãos dos robôs. Poucos sobrevieram, sendo Wolverine, Kitty Pryde, Magneto, Tempestade, Franklynn Richards (filho de Reed e Sue, do Quarteto Fantástico) e Rachel (cujos pais, descobriríamos anos mais tarde, seriam Ciclope e Fênix) os últimos membros da resistência. Logan consegue a última parte de uma peça para desenvolver um componente capaz de ampliar os poderes telepáticos de Rachel. Com isso, ela consegue mandar a consciência de Kitty de volta no tempo com o intuito de impedir o surgimento desse futuro sombrio.

O motivo de Kitty ter sido escolhida é simples: na época, ela mal havia entrado na equipe e não havia sido treinada para bloquear ataques psíquicos. Com isso, a velha Kitty consegue voltar no tempo e explica aos X-Men que a Irmandade de Mutantes está prestes a assassinar o Senador Kelly, Charles Xavier e Moira MacTaggert, iniciando uma cadeia de eventos que culminará com a Lei de Registro de Mutantes e a reativação do Programa Sentinela.

Os X-Men então apressam-se em chegar até Washinton para impedir o atentado enquanto, no futuro, o restante da resistência tenta a todo custo cumprir uma última missão, na qual acabariam todos mortos, com exceção de Rachel e o corpo de Kitty Pryde. Em Washinton, as duas equipes de mutantes se confrontam enquanto Kitty tenta descobrir quem é o assassino, já que as informações no futuro eram escassas.

Ela chega ao Senador em tempo de impedir que este receba um tiro de Sina, mutante amiga de Mística com o dom de prever o futuro. Com o assassinato impedido, a consciência da velha Kitty abandona o corpo e ela volta a ser a adolescente da equipe. Por anos, a dúvida pairaria sobre os mutantes, de que eles haviam conseguido impedir o futuro ou não.

Apenas para citar uma das consequências, podemos falar um pouco sobre o personagem Bishop, que apareceria anos depois, em X-Men 81, de julho de 95. Na ocasião, os X-Men confrontavam um inimigo chamado Trevor Fitzroy, que acabou trazendo várias pessoas do futuro, incluindo Bishop e seus colegas que faziam parte de uma espécie de “polícia do tempo”. No futuro desse novo mutante, os X-Men também estão todos mortos e uma vez mais eles se veem tendo de lidar com o fardo de tentar mudar sua linha temporal.

Ao perseguir Fitzroy, Bishop esbarraria em uma gravação de Jean Grey vinda do futuro, dizendo que os X-Men foram traídos. Bishop sabe que Gambit foi o último a ver os X-Men com vida e apontaria ele como sendo o traidor, por anos, já que uma vez preso no passado, ele se juntaria è equipe para ajudá-los a tentar impedir o futuro de onde viera.

É claro, anos mais tarde veríamos a origem da gravação de Jean e descobriríamos que ela estava falando do MASSACRE, o que resultaria em mais uma saga da Marvel com “terríveis consequências”. Mas já estou divergindo. Apesar da cronologia dos X-Men ser uma bagunça sem tamanho, é surpreendente como essa “ponta solta” da gravação tenha sobrevivido tantos anos, mesmo para ser aproveitada em uma saga deplorável. O importante, nessa história toda, é perceber que os X-Men sempre foram assombrados por esse futuro negro e pode-se dizer que muitas de suas fases giram em torno de tentar impedi-lo. Seja relacionado com o Senador Kelly, com o Massacre, com Apocalipse ou qualquer outro vilão que tente realizá-lo.

O desenho

Ah, o desenho animado dos X-Men dos anos 90. Só de ouvir a musiquinha de abertura, tem muito marmanjão que derrama lágrimas. Não é exagero dizer que a série marcou uma geração e, apesar de ser direcionado ao público infantil/adolescente, ele surpreende por dois motivos: primeiro, ter a coragem de se apresentar no formato de série mesmo, com uma continuidade entre os episódios. E segundo, por ser bastante fiel aos quadrinhos, adaptando muitas de suas sagas e é aí que entra Dias de um Futuro Esquecido.

Também dividido em duas partes, ele se aproveita tanto da história original quanto do arco de Bishop no título dos mutantes. É ele quem vem do futuro para impedir o assassinato do Senador Kelly, e acredita que é Gambit quem puxará o gatilho. Assim, os dois ficam para trás, junto com Wolverine, enquanto os demais vão para Washinton, mas Gambit consegue escapar dos dois, pois ele faz questão de pegar o assassino por conta própria e provar sua lealdade aos X-Men.

É claro, o assassino da vez é Mística, que consegue facilmente se aproximar do senador, mas quando Gambit tenta impedi-la, ela assume sua forma para confundir os demais. Bishop entra na sala enquanto os demais confrontam os demais membros da Irmandade e Vampira vem atrás. Eles conseguem impedir Kelly de ser morto, mas quando Mística assume a forma da mãe de Vampira, ela decide ajudá-la, impedindo Bishop de matá-la. Ela quebra a pulseira que o mantinha no passado e ele retorna a seu tempo.

Contudo, o futuro continua sombrio para os mutantes, levando-os a crer que o mero fato de impedir o assassinato do senador não foi o suficiente para mudá-lo.

O Filme

Passado após “X-Men: Primeira Classe”, o filme com certeza é um marco por propiciar o encontro de duas gerações de X-Men e suas cenas iniciais são de tirar o fôlego. Finalmente ver o futuro sombrio na tela, reconhecer Bishop e ver confrontos nos quais os heróis morrem, logo de cara, é sensacional. Mas apesar de se aproveitar das ideias tanto do quadrinho original quanto do desenho, o filme tem ideias próprias. E isso não é necessariamente um mérito.

Ao invés de mandar Kitty ou Bishop de volta no tempo, quem vai é, claro, Wolverine, sendo o mais popular nas telonas e, bem, é o Hugh Jackman, né. Ter um filme dos X-Men sem que o cara ocupe a maior parte do tempo de tela é um tiro no pé, mas a desculpa para isso é ridícula. Quem tem o dom de mandar a consciência de alguém de volta ao passado aqui é a Kitty Pryde (oi?), o que não faz o menor sentido, já que seu poder sempre foi o de atravessar paredes. De qualquer forma, aqui ela consegue mandar alguém de volta no tempo alguns dias antes, pois caso se esforçasse demais, a mente do indivíduo seria destroçada, o que não acontece com Logan, já que sua mente regenera mais rápido.

Ele tem então que encontrar Xavier, libertar Magneto do pentágono (hã?) e eles têm de tentar encontrar Mística antes que ela mate Trask, o criador dos Sentinelas. Detalhe, Trask consegueria, através do DNA de mística, construir os Sentinelas do futuro, que tem a habilidade de se adaptar a qualquer poder mutante e usá-los contra eles mesmos. Outra coisa que não faz o menor sentido, já que o dom de Mística sempre foi o de emular aparências, não poderes. Mas as bizarrices não param por aí: Magneto estava preso por matar JFK. Quando confrontado por Xavier depois que ele é libertado, o vilão responde que estava tentando salvá-lo, porque ele era um mutante também. Pois é.

Ainda assim o filme tem seus momentos, como a participação de Mercúrio, o que deixaria um gancho para o próximo filme (Apocalipse, que é pior ainda) e os confrontos no futuro. Mas Wolverine mesmo, com suas garras de osso (nos anos 70 elas ainda não eram de adamantium), não faz diferença nenhuma no filme todo. Resumo da história, eles conseguem impedir o assassinato de Trask, mas Magneto tenta matar Mística quando sabe que é o DNA dela que será usado para criar a nova versão dos Sentinelas.

Ela escapa, mas Magneto invade a apresentação de Trask para tentar matá-lo e ao presidente, acreditando que assim encerraria o programa dos Sentinelas, mas é claro, é impedido por Charles, Fera e a própria Mística. Tudo isso acaba resultando em um “reboot” na cronologia dos X-Men no cinema.

É uma pena, apesar de ter seus momentos, uma história tão clássica merecia uma adaptação para o cinema mais digna. Quem sabe na próxima.

Um comentário em “X-Men: as diferentes versões de Dias de um Futuro Esquecido

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