Game of Thrones – Parte 3

Terceira e última parte recapitulando todas as temporadas antes da última e fazendo uma breve crítica da série.

O inverno finalmente chegou. E, enquanto novos confrontos se desenham no sul, o exército dos mortos está cada vez mais perto.

*** Sétima Temporada ***

Após matar Walder Frey, Arya veste seu rosto e convoca todos os Frey para um banquete. Ela consegue envenenar a todos, finalmente vingando o Casamento Vermelho. Ela então ruma para King’s Landing com intenções de matar Cersei, a última de sua lista, mas para numa estalagem para comer.

Lá, reencontra Torta Quente, que é quem lhe conta que Jon agora é o novo Rei do Norte. Ela então deixa Cersei para depois e muda o curso para Winterfell. No caminho, encontra uma loba gigante, achando que é Nymeria, mas a loba lhe ignora. Talvez o tempo todo na floresta tenha feito ela se esquecer de Arya, ou talvez simplesmente não fosse sua loba.

A Irmandade chega em um casebre abandonado para passar a noite e o Cão reconhece o lugar como pertencente a um homem e sua filha. Ele matara o homem ainda na época de suas andanças com Arya, mas agora parece arrependido e os enterra. Durante a noite, Thoros de Myr lhe fala para olhar para as chamas, e ele vê o exército de mortos marchar em direção à Muralha. De alguma forma, eles sabem que é pra lá que tem de ir.

Em King’s Landing, Cersei sabe que tem inimigos de todos os lados e que precisa fazer alianças para sobreviver. É por isso que recebe Euron Greyjoy, que está disposto a deixar sua frota à disposição da rainha, se ela concordar em casar-se com ele. Cersei declina da proposta a princípio, mas Euron promete voltar com um presente.

Ao mesmo tempo, a frota de Daenerys desembarca em Dragonstone e eles começam a fazer os planejamentos para a guerra, com Lady Olenna, Ellaria Sand e suas filhas e os Greyjoy apoiando sua causa. Correndo o risco de chacinar inocentes, ela não pretende atacar a capital, mas sim formar um cerco com os exércitos dos Tyrell e dos Martell por terra, e com a frota de Yara e Theon pelo mar.

Com os Imaculados, ela pretende tomar Casterly Rock, minando assim a força dos Lannister. O plano parece bom, mas Euron intercepta a frota de seus sobrinhos, conseguindo matar duas das Serpentes da Areia e capturar Yara, Ellaria e Tyene. Theon escapa e volta a Dragonstone, enquanto Ellaria e Tyene são dadas a Cersei, como o presente prometido.

Cersei joga ambas em uma cela e paga o assassinato de Myrcella na mesma moeda, beijando Tyene com um batom envenenado. Ela diz que Ellaria viverá para ver a filha apodrecendo diante de seus olhos.

Os Imaculados conseguem ocupar Casterly Rock facilmente graças a uma passagem secreta que Tyrion conhecia, mas a maioria do exército dos Lannister já havia partido para Jardim de Cima. Lá, liderados por Jaime, eles conseguem sobrepujar os Tyrell facilmente.

Por respeito, Jaime pretende fazer uma última cortesia a Lady Ollena e, ao invés de fazê-la sofrer, ele apenas lhe dá veneno. Ela toma mas, antes de morrer, confessa ter matado Joffrey e pede para que ele conte a verdade a Cersei. Mesmo inconformado com a verdade revelada, Jaime faz bom uso do ouro dos Tyrell, usando-o para pagar a dívida dos Lannister com o Banco de Ferro.

Em Vilavelha, Sam pretende pesquisar mais sobre o inimigo, mas divide o tempo entre servir comida e limpar pinicos. Eventualmente, ele descobre Sor Jorah em uma das celas destinadas a enfermos em quarentena. Pesquisando sobre escamagris, ele descobre um procedimento que poderia curá-lo, mas é proibido de realiza-lo pelo arquimestre.

Contrariando-o, Sam o realiza às escondidas. O procedimento consiste em remover a pele infectada e tratar a pele com uma pomada. A cirurgia improvisada dá certo e Sor Jorah fica livre para voltar a Daenerys. Sam é repreendido, mas não é expulso por ter desobedecido o arquimestre.

Este, apesar de acreditar nas palavras de Sam sobre o Rei da Noite e o Exército de Mortos, não pretende ajuda-lo. Eventualmente, Sam se cansa de ler sobre a conquista de homens melhores que ele e decide partir, novamente levando Gilly e o pequeno Sam consigo.

No norte, as casas leais aos Stark se preparam para a guerra vindoura e os selvagens ocupam os castelos da Muralha desocupados para ficarem de vigília. E apesar dos Umber e dos Karstark terem traído os Stark e juntando-se a Ramsay Bolton, Jon os perdoa, já que os líderes dessas casas morreram em batalha, e seus herdeiros novamente lhe juram lealdade.

Logo em seguida, Jon recebe dois corvos. O primeiro, de Vilavelha, escrito por Sam e falando sobre a montanha de vidro do dragão em Dragonstone, o que os permitirá fazer armas contra os Caminhantes. O segundo, de Dragonstone, escrito por Tyrion e solicitando sua presença para jurar lealdade à Rainha Daenerys Targaryen. Por isso, Jon decide ir até lá, mesmo contrariando a maioria de seus vassalos, mas deixa Sansa no comando.

Alguns dias depois de sua partida, Bran e Meera chegam em Winterfell. Completamente mudado, ele parece não ter mais sentimentos. Ele diz ter lembranças de ser Brandon Stark, mas que agora é o Corvo de Três Olhos. Não demora muito, Arya também retorna, para desespero de Mindinho, que tem seus próprios planos para Sansa, o que não incluem reuni-la com sua família.

Ele dá a Bran a adaga que fora usada em sua tentativa de assassinato na primeira temporada, mas ele não a deseja e acaba passando a adaga para Arya. Esta, de olho nas maquinações de Lorde Baelish, passa a espreita-lo e logo descobre um pergaminho escondido em seus aposentos. Era a carta que Cersei forçara Sansa a escrever muito tempo atrás, dizendo que seu pai era traidor e pedindo que Robb se rendesse.

Arya confronta a irmã, o que era justo o que Mindinho pretendia. As duas acusam-se mutuamente de traição e Sansa então convoca uma audiência para acusar a irmã. Na verdade, apenas um engodo para fazer a máscara de Mindinho cair. Depois de ter fomentado a inimizade entre os Stark e os Lannister, de tê-la vendido aos Bolton, depois de ter matado sua tia, e agora, de ter conspirado para separar sua família, Sansa o condena à morte. Mesmo implorando, Arya corta-lhe o pescoço, com a mesma adaga que ele dera a Bran.

Em Dragonstone, Jon Snow e Sor Davos finalmente encontram Daenerys. No entanto, ele se recusa a dobrar o joelho, afirmando que não responde pelos juramentos feitos por seus ancestrais e que a guerra que ela está lutando é brincadeira de criança perto do que está por vir.

As tensões se exaltam, mas ela permite que Jon fique na ilha enquanto ela lida com assuntos mais urgentes. Assim que sabe da captura dos Greyjoy e do fiasco de Casterly Rock, ela parte com os dothraki e um de seus dragões para interceptar o exército dos Lannister. Pegos de surpresa, eles são massacrados facilmente.

Bronn ainda consegue disparar uma arma projetada por Qyburn para tentar deter os dragões, o “escorpião”. Uma espécie de besta gigante que dispara arpões. Ele chega a acertá-lo, mas o dragão destrói a arma em seguida e aterrissa. Enquanto Daenerys está distraída tentando remover a lança de sua pele, Jaime tenta ataca-la, mas o dragão cospe fogo em sua direção.

Ele é salvo somente pela intervenção de Bronn, que consegue empurrá-lo para o rio um instante antes de ser atingido pelas chamas. Os dois fogem e Daenerys oferece uma escolha aos sobreviventes: jurar lealdade ou morrer. A maioria escolhe continuar respirando, exceto Randyll e Dickon Tarly, respectivamente pai e irmão de Sam, que não fazia ideia que eles estavam no campo de batalha. Agora, os dois são engolidos pelas chamas.

Retornando a Dragonstone e com a maioria dos aliados derrotada, ela permite que Jon minere a montanha de vidro do dragão para fazer armas. Jon agradece e eventualmente até cria coragem para tocar em um dos dragões, ainda ignorando seu sangue Targaryen. Pouco depois, Sor Jorah retorna e um corvo chega do norte. Bran, controlando um corvo, sobrevoou a Muralha e viu o exército dos mortos se aproximando.

Eles então bolam um plano, propor a Cersei uma trégua para que possam lutar contra o inimigo comum. Para isso, eles precisarão de provas e Jon concorda em ir novamente a norte da Muralha para capturar um morto-vivo. Sor Jorah voluntaria-se a ir com ele.

Sor Davos então ajuda Tyrion a voltar à capital para falar com o irmão. Ele pede para que Bronn convença Jaime a ir até as catapultas, o que ele concorda e Tyrion explica a importância deles sentarem-se com Daenerys.

Enquanto a conversa se desenrola, Davos procura por Gendry, encontrando-o trabalhando como ferreiro. Mal ele explica o porquê de estar ali, Gendry já está de malas prontas para partir e se junta à expedição de Jon.

Eles chegam na fortaleza de Atalaialeste, onde a Irmandade está presa nas celas. Beric, Thoros e o Cão se juntam ao grupo, bem como Tormund e mais alguns selvagens. Sor Davos fica na fortaleza, mas treze homens passam para o outro lado.

Após andarem alguns quilômetros, eles encontram o primeiro morto-vivo: um urso, que os ataca e mata alguns homens. Ele chega a morder Thoros, mas este sobrevive por mais algum tempo.

Finalmente, eles encontram um primeiro grupo liderado por um dos Caminhantes. Quando Jon o mata com sua espada, a maioria dos mortos que o seguia desaparece, restando apenas um, que é facilmente capturado. Contudo, esse consegue chamar a atenção dos demais e, em um instante, eles veem um exército correr na direção deles.

Jon ordena que Gendry, sendo o mais rápido, volte correndo até Atalaialeste e mande um corvo para Daenerys. Eles então passam por um lago congelado, que quebra nas suas bordas, impedindo a passagem dos mortos, mas deixando-os ilhados. Thoros não sobrevive à noite e morre congelado.

Eventualmente, o lago volta a congelar e os mortos conseguem avançar até eles, que então tem de lutar para sobreviver. Mais alguns tombam e eles acabam encurralados e sem esperança. É nesse momento que Daenerys surge com seus dragões para salvar o dia.

Ela aterrissa e, enquanto todos sobem nas costas de um dos dragões, o Rei da Noite atira uma lança contra outro, acertando-o em cheio. Daenerys vê seu filho despencar e afundar no lago, enquanto o Rei prepara outra lança em sua direção. Eles partem, deixando Jon para trás.

Sozinho e encurralado pelos mortos, ele é salvo por seu tio Benjen, voltando a encontra-lo depois de anos. Benjen lhe dá seu cavalo e fica para enfrentar os mortos, sabendo que será sua última batalha. Jon então retorna a Atalaialeste e de lá, ele e sua comitiva seguem para King’s Landing, exceto Beric, Gendry e Tormund, que permanecem na Muralha. Brienne e Podrick já estavam a caminho da capital, por ordem de Sansa.

Dá-se, então, um dos encontros mais importantes de toda a série, com praticamente todos os principais personagens reunidos num único lugar. Do lado de Daenerys: Missandei, Verme Cinzento, Tyrion Lannister, Sor Jorah, o Cão, Jon Snow, Davos Seaworth, Theon Greyjoy, Brienne e Podrick. Do lado de Cersei: Jaime Lannister, o Montanha, Qyburn, Euron Greyjoy e Bronn.

Uma troca de farpas inicial é inevitável, mas depois que o Cão abre a caixa e o morto-vivo que eles capturaram avança sobre Cersei, todos ficam sem palavras. Cersei concorda com a trégua, desde que Jon se submeta a ela, ao que ele se recusa. Euron Greyjoy pergunta se eles podem nadar e, tendo uma resposta negativa, afirma que voltará às Ilhas de Ferro até o inverno passar.

Tyrion conversa com Cersei e ela acaba concordando em ajudar. Assim que Jon e Daenerys partem da capital, no entanto, ela confessa a Jaime que não tem reais intenções de lutar ao lado de seus inimigos e que Euron está a caminho de Braavos para contratar a Companhia Dourada, uma das maiores organizações de mercenários do mundo.

Ultrajado por ter sido deixado de fora do plano e nem um pouco disposto a quebrar sua palavra, Jaime parte para o norte para lutar na Grande Guerra que está por vir.

Theon, por outro lado, pretende resgatar a irmã, já que ela foi a única que sempre se importou com ele. Ao tentar convencer seus homens e ajuda-lo, contudo, é recusado a princípio e acaba tendo de enfrentar um deles. Mesmo apanhando vergonhosamente, ele consegue vencê-lo e os homens são convencidos a tentar o resgate de Yara.

Sam chega em Winterfell e reencontra Bran. Ao perguntar por Jon, Bran afirma que precisa lhe contar a verdade sobre quem ele é, um Targaryen. Sam complementa a informação com algo que ele Gilly lera enquanto eles estavam em Vilavelha: o alto septão havia casado Rhaegar Targaryen com Lyanna Stark. Ela não havia sido sequestrada, mas os dois eram amantes, portanto a rebelião de Robert fora construída numa mentira.

Jon Snow é, portanto, Aegon Targaryen, legítimo herdeiro ao trono. Mal sabem eles que ele está apaixonado pela tia e os dois fazem amor em seu barco a caminho de Winterfell.

Em Atalaialeste, o exército dos mortos finalmente chega na Muralha. O dragão de Daenerys agora está do lado deles e ele cospe fogo azul contra a Muralha, destruindo-a pouco a pouco. Em instantes, toda a parte leste vem abaixo, para desespero de Tormund e dos demais.

O exército então consegue passar pelo rombo que fora aberto e continua sua marcha em direção sul.

*** Crítica ***

Na primeira temporada, percebe-se que há algo de diferente na série já no
primeiro episódio, quando vemos Bran ser jogado do alto da torre. A série lhe prende atenção até o momento em que Ned Stark morre, certamente o primeiro grande “choque”. Olhando em retrospecto, contudo, era meio
óbvio que ele tinha de morrer. Do contrário, não haveria guerra, os Lannister seriam escorraçados e Stannys seria Rei.

A segunda, então, começa com a expectativa elevada, sendo o ponto alto a
batalha de Stannys na Baía de Água Negra, que termina de um jeito inesperado mas, de novo, se ele tivesse vencido, a série terminaria. Ou seja, nesse ponto, já sabemos que reviravoltas são esperadas em GOT.

Apesar disso, em muitas ocasiões temos diálogos arrastados e personagens que pouco acrescentam, mas esse, para mim, nem é o maior problema. Até agora me indigna o fato de Catelyn Stark ter soltado Jaime Lannister quando simplesmente poderia ter deixado seus vassalos o matarem.

Há quem argumente que ela o fez por suas filhas, mas qual era o plano,
então? Ela achava que Brienne ia simplesmente chegar na Fortaleza Vermelha, a terra do Rei, entregar Jaime e pegar as filhas de volta? Conhecendo os Lannister nesse ponto, não é difícil imaginar que les simplesmente cortariam sua cabeça e tomariam Jaime de volta. Não, pra mim isso nunca vai fazer o menor sentido.

E Arya, pior ainda. Ela tem três nomes para dar a Jaqen e ele os matará.
Primeiro, manda ele matar um torturador. Pra nada. Depois, quando um guarda descobre que ela roubara um plano de batalha, ela foge e dá o nome desse guarda. Esse aí, ok, foi no desespero. Mas ela teve tempo de sobra para nomear Tywin Lannister, o que certamente mudaria os rumos da guerra. Quando finalmente decide fazê-lo, é tarde demais e ele deixa Harrenhal para salvar o dia em King’s Landing.

Há, ainda, erros de continuidade e coisas mal explicadas. Ainda nas primeiras temporadas, a Patrulha da Noite afirma que vai mandar a mão de um dos Caminhantes Brancos para King’s Landing, como prova do exército dos mortos, solicitando reforços. Tal fato é esquecido, sendo que o Conselho recebe apenas uma carta dizendo do perigo por vir, o que é completamente ignorado, obviamente.

Há um erro envolvendo Melissandre, que na sexta temporada remove seu colar e revela um corpo bastante idoso. Ela, porém, havia retirado o colar em outra cena em temporadas anteriores e permanecera com o corpo jovem. 

Também não é explicado como Sam sobrevive após ver exército de mortos, ou porque eles o deixam ir. O Rei da Noite passa por ele, o encara, e nada faz. 

Ainda sobre coisas mal explicadas: por que Shae trai Tyrion tão raivosamente durante seu julgamento? Por que se deitaria com seu pai, chamando-o de “Meu Leão”, apelido que era apenas de Tyrion? A personagem era bondosa e inteligente, além de ser completamente apaixonada pelo anão. Difícil de engolir que ela teria tamanho rancor dele, mesmo após ele ter dito palavras duras e a ofendido. Ela sacaria que ele o fez para que ela fosse embora e continuasse viva.

Mas uma das coisas mais irritantes da série é o Rei Tommen deixar os fanáticos prenderem Loras e sua rainha e não fazer absolutamente nada. Teria sido fácil para o rei ordenar a seus homens matar a Fé Militante e resgatá-los, mas ele prefere não fazê-lo só para não recorrer à violência?

Ok, isso faz sentido um pouco mais à frente, quando ele acaba sendo manipulado pelo Alto Pardal, mas toda essa trama poderia ter sido construída de maneira melhor.

Com relação à morte de Jon Snow, por que os traidores não queimaram o seu corpo, logo após terem lhe esfaqueado? Naquela altura, já havia se tornado de praxe queimar os cadáveres para que eles não voltassem como mortos-vivos. Esqueceram?

E ainda sobre o bastardo, não é segredo que Catelyn sempre o odiou, o que era de se esperar, já que o marido voltara da guerra com o filho de outra mulher. Tudo bem que Ned fora incumbido pela irmã de proteger o menino, mas por que Ned ele não contou ao menos a sua esposa de quem Jon era filho? Preferiu deixar que ela acreditasse que ele a traiu, fazendo-a sofrer? Homem honrado que era? Também, meio difícil de engolir.

E, claro, há as polêmicas, como a cena de estrupro da Sansa na quinta temporada. Dificilmente chamaria de estupro, já que ela concordara com o casamento. Ramsay poderia ter sido gentil? É claro, mas sabemos que isso não era de seu feitio. A noite de núpcias de Daenerys com Drogo na primeira temporada foi bem mais violenta e ninguém reclamou. Há cenas de estupro muito piores retratadas na série, por isso acho que reclamar dessa cena é como reclamar de sangue num filme do Tarantino.

E, finalmente, um dos maiores problemas da série: a passagem de tempo, que sempre fora meio problemática. Muitas vezes um mesmo trecho a ser percorrido no mapa leva semanas ou meses, enquanto em outras vezes o mesmo trajeto leva dias. Na maioria das vezes isso pode ser relevado em prol da narrativa, mas na última temporada, esse recurso é abusado à exaustão.

Na primeira temporada, o Rei Baratheon leva um mês de King’s Landing até Winterfell. Na última temporada, Jon Snow percorre quase o mapa todo de Westeros em poucos dias. Vai de Winterfell a Dragonstone, de Dragonstone até a Muralha, de lá para King’s Landing. Ok, a maioria dessas viagens é feita de barco, mas ainda assim, é de se esperar que durassem algumas semanas e se duram, isso não fica muito claro.

Mas o pior é a cena deles ao norte da Muralha. Primeiro, eles ficam um bom tempo andando na neve, dá a entender que sejam dias. Depois, quando são atacados pelos mortos, Gendry volta correndo em pouquíssimo tempo. O corvo que ele envia para Daenerys chega em Dragonstone em tempo recorde e ela voa para salvá-los em tempo recorde. Ok, um dragão levaria muito menos tempo para cruzar a distância percorrida a cavalo ou a barco, mas é praticamente certo que eles morreriam congelados muito antes do corvo chegar em Dragonstone. Dê uma olhada nesse mapa e tire suas conclusões.

Ainda sobre a passagem de tempo, fica claro que desde o começo da série passaram-se alguns anos, o que é dito pelos personagens em muitas ocasiões e evidenciado por outros detalhes. Por exemplo, Myrcella era uma garotinha quando foi enviada a Dorne e, quando voltamos a vê-la, ela já é adolescente. E é claro, há os dragões, que crescem numa velocidade estrondosa.

Mas então, se passaram-se anos desde que eles viram o Exército dos Mortos pela primeira vez, por que esse exército demorou tanto tempo para chegar até a Muralha? Pode até haver uma justificativa para tanto, mas isso não é explicado em nenhum momento.

Os fãs dos livros talvez argumentem que muitas dessas coisas são explicadas nos livros (e podem até ser, eu não sei porque não li) mas entendam, a série tem que funcionar isoladamente dos livros. O roteiro tem que ser, no mínimo, bem amarrado e erros de continuidade ou coisas mal explicadas são difíceis de engolir. 

Veja, há uma diferença entre “pontas soltas” e algo que é deixado “aberto a interpretação”. O primeiro evidencia diretamente problemas no roteiro. Sim, nem tudo precisa ser explicado à exaustão, mas não adianta ter um background gigantesco no universo de sua história, se você peca em coisas simples.

Tudo bem que numa série de tamanha magnitude, com tantos personagens e em tantos lugares diferentes, evitar tais erros não é trabalho trivial. Mas esse acúmulo de “pecados” acaba minando as qualidades, ao meu ver, muito embora seja uma história no mínimo divertida de se acompanhar. Depois que você vicia em GOT, fica difícil não ficar, no mínimo, curioso com o que a última temporada irá nos trazer.

Só espero que não caia nos clichês dramalhões ou na fanfic que virou a última temporada. Torcemos para que tenha o final épico que a série merece!

 

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